[Cultura Digital] 2020, o mais digital ano de nossas vidas

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[Cultura Digital] 2020, o mais digital ano de nossas vidas

Ficar batendo na tecla de que tudo mudou este ano é quase uma ofensa.

Ficar batendo na tecla de que tudo mudou este ano é quase uma ofensa.


[30.12.2020]
Por Alexandre Adoglio*

Com praticamente todos no planeta sendo impactados pela pandemia e suas consequências, temos pela frente uma série de reveses causados pelo lockdown, quarentena, home office, desemprego e vacinas que não vem e não vão. Porém, em meio a tanta desgraça, desinformação e charlatanismo, temos uma revolução sem precedentes no ecossistema de tecnologia. Empresas e profissionais espalhados pelo mundo estão vivendo mudanças que aceleram seus negócios e colocam a humanidade em face da sua próxima etapa evolutiva, conforme este estudo da McKinsey nos diz.

Do enfoque #culturadigital temos alguns pontos que merecem atenção:

REUNIÃO VIRTUAL | VIDEOCONFERÊNCIA | E-LEARNING

O primeiro efeito da quarentena foi mandar todo mundo pra casa, causando uma onda pessimismo em relação ao futuro dos empregos e sustentabilidade das empresas. Floresceram daí os sistemas para reuniões online, que promoveram a ponte digital entre times, empresas e seus líderes, modificando completamente o comportamento corporativo conforme mencionamos aqui na coluna. 

A “corrida” começou com os já conhecidos Skype e Google Met (antes Hangouts) porém com algumas estratégias bem colocadas os demais players de mercado passaram a aumentar sua participação, como o Whereby (antes appear.in), Cisco Webex e a ferramenta que se tornou sensação corporativa, o Zoom. Vivendo uma verdadeira montanha russa de emoções em 2020, desde invasão por hackers em reuniões privadas até ações que valorizaram mais de 500% durante o ano, o Zoom mostra como este jogo ainda está aquecido, anunciando recentemente o lançamento de seus serviços de e-mail e calendário para competir com Google e Microsoft.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ENTROU NA SALA 

Embora os investimentos tenham sido impactados devido a falta de previsibilidade nos mercados, aplicações de IA estão se mostrando aposta certa para o futuro dos mais variados mercados de tecnologia. Desde os assistentes virtuais e chatbots até sistemas complexos de análise do seu sangue acelerando resultados laboratoriais.

Inteligência artificial significa transmitir as habilidades do cérebro humano ao software baseado em computador, como por exemplo a web baseada em IA ou os aplicativos móveis que são capazes de realizar as funções reais que antes eram restritas aos humanos. O pensamento lógico e cognitivo agora é executado perfeitamente por esta tecnologia, pois já não existe mais dúvida de que a inteligência artificial, junto com o machine learning e deep learning, revolucionou o funcionamento do software fazendo eles se tornarem mais solidários, interativos e humanos em seu desempenho e precisão. Os dados esclarecem por si só:

  • Até o ano de 2025, o mercado global de IA deverá ser de aproximadamente US$ 60 bilhões; no ano de 2016 foi de US$ 1,4 bilhão. (Fonte: CMO)
  • O PIB global dos países crescerá US$ 15,7 trilhões até o ano de 2030 graças à revolução da IA. (Fonte: MIT)
  • O software baseado em IA pode aumentar a produtividade dos negócios em quase 40%. (Fonte: Accenture)
  • As startups baseadas em IA cresceram quase 14 vezes nas últimas duas décadas. (Fonte: MIT)
  • O investimento em startups e negócios de IA cresceu 6 vezes desde 2000. (Fonte: MIT)
  • Cerca de 77% dos dispositivos que usamos apresentam IA de uma forma ou de outra. (Fonte: Estratégias Criativas)
  • De acordo com analistas do Google, acredita-se que até o ano 2021, os robôs serão inteligentes o suficiente para imitar o comportamento complexo dos humanos, como flertes e piadas. (Fonte: Google)

Mesmo com grandes desafios pela frente, como questões de segurança nacional, substituição de mão de obra humana, além da necessidade de alto poder de processamento, a IA já está evoluindo por si só e concebendo as próximas etapas de si própria.

PODCAST REBORN 

Ferramenta utilizada desde os primórdios da internet, os podcasts obtiveram um revival intenso nestes meses de lockdown, potencializando a comunicação online e democratizando o acesso às plataformas e ferramentas. Em uma última pesquisa sobre o tema realizada pela Podcasts Insights, mais de 55% da população dos EUA já ouviu um podcast sendo que 155 milhões de pessoas ouvem um podcast todas as semanas, com cerca de 24% da população dos EUA (68 milhões) ouve podcasts semanalmente. 

Os ouvintes de podcast consomem em média sete programas diferentes por semana, sendo que hoje existem mais de 1,68 milhões de podcasts ativos no mundo segundo a Apple, sendo que 49% dos ouvintes se concentram na faixa dos 25 a 44 anos. No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Podcasters (ABPod) em pesquisa realizada em conjunto com Ibope Inteligência em outubro de 2020, somamos hoje 34 milhões de ouvintes no país, com mais de 2 mil programas ativos, num crescimento médio/ano de 64% de ouvintes nos últimos 4 anos. A ferramenta ganhou destaque como tática de grandes marcas e empresas, tornando nosso país o 2º colocado como maior mercado de podcasts no mundo.

Movimento acompanhado de perto pela Raise Hands, de Florianópolis, com foco em apoiar negócios, marcas e pessoas a produzirem e distribuírem seus conteúdos em podcasts através da construção de audiência própria, conhecido como Braço de Mídia. Em tempo, os assuntos com maior audiência durante 2020 foram os programas educacionais e de esportes, com preferência do público para aqueles que combinam aúdio+vídeo (filmagem do estúdio), além de um crescimento forte da propaganda de áudio nos programas

SPOILER: Com certeza falaremos muito sobre o tem podcasts aqui na coluna em 2021.

VENDA ONLINE ALÉM DO E-COMMERCE 

Indiscutivelmente este é o ano da Amazon em nível mundial e do Mercado Livre aqui na América Latina. A Amazon já era uma força dominante no mercado de e-commerce antes nos Estados Unidos, mas com o início da pandemia muitos americanos se tornaram cada vez mais dependentes da plataforma para obter produtos essenciais, como papel higiênico (em meio a uma breve escassez causada pelo pânico em alguns áreas), alimentos, desinfetante para as mãos e máscaras entregues em um ou dois dias e sem ter que sair de casa, fazendo com que a gigante atingisse a marca de $96.1 bilhões de faturamento, mesmo com vários casos de abuso trabalhistas reportados por seus funcionários. 

Já o Mercado Livre aproveitou a onda e consolidou várias frentes para reforçar sua posição de líder no mercado nacional, se tornando a maior empresa da américa latina no processo. Registrando uma valorização de 108% em 2020, o grupo argentino Mercado Libre Inc., investiu em frota própria de aviões, inaugurou novos centros de distribuição pelo país inclusive em Santa Catarina, obteve autorização do Banco Central para operar como instituição financeira e, por fim, bateu a casa de valor nos US$ 60,6 bilhões, ultrapassando a Vale e se tornando a empresa de maior valor na AL.

MEDICINA ALÉM DO MÉDICO 

A quarentena impediu a todos de trabalhar, aprender e fazer compras pessoalmente, mas também afastou as pessoas a visitarem hospitais, clínicas e consultórios, levando a um aumento expressivo no atendimento em telemedicina ou serviços de saúde digital que vão desde cuidados primários à terapia.

A maioria dos hospitais atualmente tem aplicativos ou plataformas de telemedicina para atender pacientes remotamente. Uma pesquisa realizada em outubro pela COVID-19 Healthcare Coalition nos EUA que incluiu respostas de mais de 1.500 médicos e outros profissionais de saúde descobriu que 75% dos trabalhadores médicos acreditam que a telemedicina fornece aos pacientes em todo o aspecto da saúde acesso a cuidados de melhor qualidade. Além disso, mais de 80% dos profissionais de saúde afirmaram que a telemedicina provou ser uma opção mais oportuna para os pacientes.

No Brasil a telemedicina obteve sua aprovação final logo no início da pandemia 2020, com a regulamentação em abril pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), num movimento que pode modificar o mercado de forma permanente. Inicialmente usado para orientar pacientes com suspeita de contaminação pela covid-19, o recurso logo se estendeu a consultas agendadas e atendimentos de urgência por pacientes que antes procurariam um pronto-socorro por causa de uma gripe mas passaram a pensar duas vezes antes de sair de casa.

Assim, conforme os dados das operadoras de saúde já antecipavam, boa parte dos pacientes que buscam pronto-socorro não precisavam estar ali, mostrando que este costume do brasileiro é um grande problema financeiro do atual sistema de saúde e que pode ser solucionado com as novas tecnologias.

Alguns cases na região provaram ser verdade, conforme destacamos na coluna em Dr. Google e sua saúde online.

FINTECHIZAÇÃO DA VIDA 

Com a evolução tecnológica o conhecimento se tornou horizontal em diversas áreas, permitindo que mercados antes impenetráveis se tornassem rapidamente acessíveis a quem se dispusesse a desbravá-los. Com certeza o grande expoente neste ano foram as Fintechs, que não só nasceram e prosperaram no ecossistema de startups como também estão transformando modelos de negócio e mercados de uma forma jamais vista desde o advento do online. 

Com a percepção que as empresas tiveram de que a criação de seu público se deu por esforço próprio muitas começaram a se perguntar o porque de deixar as operações financeiras na mão de terceiros ao invés de sistematizarem para si próprias. A concorrência passou a ser transversal, pois não se limita a um só mercado, como a Stone e Cielo que são plataformas nativas do segmento, mas agora a disputa passa a ser com gente de fora como Magazine Luiza, Starbucks, WhatsApp e Rappi, que visam o aumento de suas receitas via fidelização de clientes.

Regionalmente temos o nosso maior case, PagueVeloz que praticamente quintuplicou de tamanho em 2020 e também a Atar que mira naqueles que gostariam de entrar para o seleto time de fintechs e precisam de apoio para isso. 

FAMÍLIA É O NOVO NORMAL 

Com obrigação de ficar em casa, as pessoas começaram a se dedicar ao principal núcleo de nossas vidas. Em uma epifania mais que bem vinda… da ressignificação do trabalho.  Segundo pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia 50% dos pais entrevistados passaram a ter uma relação melhor com os filhos após o início da quarentena, reforçado por um outro estudo do IZA Institute of Labor Economics realizado na Europa mostrando que ter a presença dos pais por mais tempo esta promovendo uma melhor  performance das crianças nos estudos e gerando foco, criatividade e empatia em suas relações interpessoais. 

Fato é que o coronavírus veio para ensinar muita coisa, inclusive uma nova forma de conviver, promovendo o fortalecendo os laços familiares.

DEU, 2020!!

Fechando o ano, a melhor boa nova é que este mesmo ecossistema pulsante está sofrendo com a escassez de mão de obra. Se por um lado temos o desemprego como grande inimigo do equilíbrio social para 2021 do outro temos uma enorme demanda por profissionais nas mais diversas áreas da tecnologia, no hardware, no software e também em educação e gestão. Das muitas opções no mercado, os interessados podem obter capacitação por meio de cursos como na Proway, e também iniciativas de educação patrocinada como Entra 21, e École 42.

O futuro já nos aponta para escolhermos a melhor solução em frente as crises, o respeito e desenvolvimento humano nunca serão tão valorizados, mesmo num mundo de bytes.

Fast Foward >>> 2021


ALEXANDRE ADOGLIO é CMO na Sonica e empreendedor digital.
Escreve semanalmente sobre Cultura Digital para o SC Inova – a coluna volta na segunda quinzena de janeiro de 2021.

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