[OPINIÃO] Como as interfaces Cérebro-Máquina vão revolucionar a saúde

Voce está em :Home-Inovadores, Opinião-[OPINIÃO] Como as interfaces Cérebro-Máquina vão revolucionar a saúde

[OPINIÃO] Como as interfaces Cérebro-Máquina vão revolucionar a saúde

Não se trata apenas de tecnologia, mas também sobre como podemos melhorar vidas e criar um futuro em que todos tenham acesso a novas possibilidades.

Não se trata apenas de tecnologia, mas também sobre como podemos melhorar vidas e criar um futuro em que todos tenham acesso a novas possibilidades. / Imagem: DALL-E/SC Inova


[03.04.2025]

Por Julyana Vieira, Vice Presidente da Salvia Saúde – Corporativa

Uma das inovações tecnológicas que considero mais fascinantes e que estão moldando o futuro da saúde é a Interface Cérebro-Máquina (ICM, ou BCI, na denominação em inglês). Estou falando de um conceito que está deixando de ser uma suposição para virar realidade e promete transformar a maneira como interagimos com a tecnologia, inclusive como cuidamos da nossa saúde.

Se você ainda não ouviu falar sobre isso, fique atento, pois esse assunto vai impactar sua mente – literalmente, e no bom sentido. Imagine que você está sentado no sofá e, só de pensar em ligar a TV, o aparelho já muda para o modo on, no seu canal favorito. Ou imagine você movimentando seu drone só com o poder da mente. Ou, ainda, pense num computador, numa prótese, numa prancheta, tudo controlado só com seus pensamentos. As possibilidades são infinitas.

Mas como isso se dá na prática? Basicamente, ICMs são sistemas que conectam diretamente nosso cérebro a dispositivos externos. Isso significa que é possível controlar ações usando apenas pensamentos. A ideia é captar sinais elétricos do cérebro e traduzi-los em comandos que uma máquina possa entender. As interfaces cérebro-máquina permitem que a atividade elétrica do cérebro seja traduzida em comandos que são respondidos por dispositivos. É como se estivéssemos dando superpoderes a nós mesmos.

Vejo a capacidade de promover a reabilitação como um dos grandes destaques dessa tecnologia. No caso de pessoas que sofreram derrames ou lesões, por exemplo, as ICMs podem facilitar a recuperação dos movimentos. Com um simples pensamento, o paciente fica em condições de controlar um exoesqueleto e retomar a sua autonomia. Então, pense em um paciente tetraplégico conseguindo mover um cursor na tela do computador só com a força do pensamento. É uma revolução para a qualidade de vida e para a inclusão.

Claro que, também nesse caso, com grandes poderes, vêm mais responsabilidades. A implantação das BCIs traz desafios enormes, tanto éticos quanto tecnológicos. Como garantir, por exemplo, que nossos pensamentos estejam protegidos e não sejam utilizados de forma indevida? Penso que são debates a serem aprofundados à medida que a tecnologia avança.

LEIA OUTROS ARTIGOS SOBRE O TEMA

A interface cérebro-máquina não tem a ver só com tecnologia, mas também sobre como podemos melhorar vidas e criar um futuro em que todos tenham acesso a novas possibilidades. Fazer parte da revolução da saúde não é só um sonho, mas uma realidade em construção.

Então, que tal nos prepararmos para o que vem por aí? Enquanto tudo isso não se torna real, nos resta acompanhar de perto essa revolução e nos prepararmos para um futuro em que a mente e a máquina trabalhem juntas de uma forma que nunca tínhamos conseguido imaginar.

O futuro está em nossas mãos — ou melhor, em nossas mentes.