Segunda edição do IBID, lançada no Startup Summit 2025, mostra que os estados do Sul (2o. e 3o. colocados) reduziram a distância para São Paulo – e aponta uma tendência nacional de descentralização da inovação. / Foto: Divulgação
[29.08.2025]
Por Ecosystems + SC Inova
O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) apresentou nesta sexta-feira (29), durante o Startup Summit, em Florianópolis, a segunda edição do Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento (IBID). Os dados de 2025 confirmam a expansão dos ecossistemas de inovação do Sul, com Santa Catarina e Paraná em segundo e terceiro lugares, respectivamente, superando a média nacional no desempenho de ciência, tecnologia e inovação. Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e o Distrito Federal completam a lista dos sete estados mais bem colocados.
Embora São Paulo siga na liderança do ranking geral, os estados do Sul têm se aproximado: Santa Catarina e Paraná reduziram em seis pontos percentuais a distância para o líder nacional em relação a 2015. Além de Santa Catarina, que permanece como referência regional, o Paraná foi citado pelo estudo como uma das economias com crescimento mais rápido na última década, ao lado de Paraíba, Piauí e Amapá.
Segundo o economista-chefe do INPI, Rodrigo Ventura, o movimento reflete uma mudança estrutural no cenário da inovação brasileira: “vários estados vêm reduzindo a distância em relação a São Paulo e, sob uma perspectiva de médio prazo, estamos diante de uma nova geografia econômica no Brasil, em que atividades de inovação e tecnologia passam a se expandir para outras regiões. Esse é um sinal claro de transformação estrutural do país”.
Apesar da supremacia paulista, Santa Catarina “se destaca pelo desempenho robusto e equilibrado, figurando entre os cinco primeiros colocados em praticamente todos os pilares de inovação”, disse o economista em entrevista ao SC Inova.

No caso do Paraná, que já havia alcançado a terceira posição no ranking de 2024, os dados mostram uma trajetória consistente de crescimento. “Em 2015, o Paraná era o sexto estado mais inovador do Brasil. É um escalador do ranking, com desempenho forte em todos os sete pilares de inovação”, observa. Esse avanço reflete o fortalecimento de ambientes de inovação não apenas em Curitiba, mas também no interior, onde cidades como Londrina, Pato Branco e Maringá têm se consolidado como polos dinâmicos.
“Santa Catarina e Paraná se consolidaram como polos centrais de inovação, reduzindo o gap em relação à economia líder e ajudando a redesenhar a geografia econômica do Brasil”, completa Ventura.
O IBID utiliza metodologia inspirada no Global Innovation Index (GII), agregando 80 indicadores distribuídos em sete pilares: instituições, capital humano, infraestrutura, economia, negócios, conhecimento e tecnologia e economia criativa. Ao oferecer uma leitura detalhada por estado, o índice permite identificar tanto os avanços quanto os gargalos que ainda precisam ser superados.
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O avanço ajuda a compor um cenário de maior desconcentração territorial da inovação no Brasil, com estados do Sul, Nordeste e Centro-Oeste encurtando a distância para os líderes. Além do Sul, os líderes regionais do IBID 2025 foram Amazonas no Norte, Rio Grande do Norte no Nordeste e Distrito Federal no Centro-Oeste. O Amazonas, em especial, subiu três posições no ranking, saindo da 20ª para a 17ª colocação em apenas um ano.
Para o presidente do INPI, Júlio César Moreira, a inovação se consolidou como vetor estratégico de desenvolvimento: “o IBID 2025 retrata o potencial das cinco regiões do Brasil em inovar e trazer desenvolvimento econômico, social e tecnológico, bem como aponta as fortalezas e os desafios dos estados brasileiros no esforço para desenvolver os ecossistemas locais de inovação.”
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