Startup Summit 2025: Paraná apresenta oportunidades de um ecossistema em expansão

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Startup Summit 2025: Paraná apresenta oportunidades de um ecossistema em expansão

Quarto maior mercado de TI do país apresentou crescimento de 18% no faturamento em 2024. No Summit, lideranças apresentaram cases locais

Quarto maior mercado de TI do país apresentou crescimento de 18% no faturamento em 2024. No evento de startups em Florianópolis, lideranças mostraram o que está acontecendo no estado vizinho. / Foto: Divulgação


[28.08.2025]
Por Ecosystems + SC Inova

Quarto maior polo de tecnologia do país, com um faturamento de R$ 55 bilhões e mais de 39,5 mil empresas, o Paraná desponta como um dos estados com maior expansão entre os ecossistemas nacionais de inovação. 

De acordo com o levantamento divulgado pelo Observatório ACATE, o mercado de tech paranaense teve um crescimento de 18% em 2024, superior à média nacional. Um resultado que se alinha à expansão do PIB estadual nos últimos anos – que avançou 63% de 2018 a 2024. Para apresentar esse cenário de oportunidades e expansão, lideranças do ecossistema do Paraná detalharam no Startup Summit o que está sendo feito no estado vizinho e quais as perspectivas de futuro.

 De um lado, Curitiba mostrou o peso de uma capital que construiu ao longo da última década uma governança sólida para apoiar startups e novos negócios. De outro, regiões em ascensão, como o Sudoeste, revelaram que o movimento vai além da capital e começa a transformar territórios antes vistos apenas como polos tradicionais da indústria e do agronegócio.

Alan Alex Debus, coordenador estadual de inovação do Sebrae/PR, destacou que o Paraná é hoje o estado com maior número de ecossistemas locais estruturados: 42 dos 231 existentes no Brasil. “Estamos em um momento em que Curitiba mostra consolidação e regiões como o Sudoeste apresentam crescimento rápido. Esse movimento só faz sentido quando conseguimos conectar os atores e gerar resultados concretos”, explicou.

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VALE DO PINHÃO: COLABORAÇÃO COMO MOTOR DA INOVAÇÃO

Dario Paixão, secretário de Inteligência Artificial, Desenvolvimento Econômico e Inovação de Curitiba e presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento, apresentou o Vale do Pinhão como referência de amadurecimento. O movimento surgiu a partir do chamado “quadrilátero acadêmico” – articulação entre universidades e centros de pesquisa que buscavam transformar conhecimento em negócios – e hoje se consolidou como uma rede que envolve poder público, empresas e empreendedores.

Curitiba estruturou infraestrutura física e de apoio, como hubs de inovação, coworkings e aceleradoras, além de iniciativas de capital como o Invest Curitiba, voltado a fomentar novos negócios. Paixão lembrou ainda que o município criou um fundo de inovação que, durante a pandemia, apoiou microempreendedores individuais e, agora, passa a direcionar recursos para a validação de provas de conceito (POCs) por meio de ambientes de sandbox regulatório.

Apesar dos avanços, o secretário enfatiza que o desafio é “democratizar a inovação e levar esse movimento além das startups, para que atinja empresas tradicionais e setores econômicos que ainda não inovam”, afirmou. 

SUDOESTE DO PARANÁ COMO REFERÊNCIA EMERGENTE

Se Curitiba mostra um ecossistema com maior densidade, o Sudoeste do Paraná surge como território em ascensão. Marcelo Rogério da Silva, presidente do Sistema Regional de Inovação (SRI Sudoeste) e membro do Conselho de Tecnologia e Inovação da Fiep, trouxe ao debate a experiência de Pato Branco e região, que ao longo de 20 anos estruturou uma governança que aproxima universidades públicas e privadas, empresas e poder público. Esse arranjo possibilitou a criação de cursos, laboratórios e projetos voltados a setores como o eletromecânico e o agronegócio, fortalecendo uma economia multidisciplinar. Hoje, o ecossistema representa cerca de 15% do PIB de Pato Branco.

Um marco dessa trajetória foi a criação da primeira secretaria municipal de ciência e tecnologia no Paraná, em 2013. “Temos um ecossistema que amadureceu pela necessidade e pela vontade de transformar. Mas ainda enfrentamos o desafio de atrair mais investimentos e de reter talentos, já que muitos jovens migram para Santa Catarina em busca de oportunidades”, destacou Marcelo. Para ele, o potencial do Sudoeste está em oferecer condições para que empreendedores encontrem ali um território preparado para receber novos negócios.

Na visão de Cesar Rissete, diretor técnico do Sebrae/PR, o fator decisivo é ter clareza de propósito. “Inovação não se faz isolado. É preciso velocidade, foco em resultados e capacidade de aprender uns com os outros. Um ecossistema só cresce quando se conecta, e essa conexão ajuda empreendedores e empresas a reduzir riscos, acessar informações e acelerar processos de inovação”, afirmou.

O painel mostrou que, apesar de diferentes níveis de maturidade, os ecossistemas do Paraná caminham em sintonia para ampliar a densidade de negócios inovadores no estado e transformar conhecimento em desenvolvimento econômico. Como resumiu Rissete, “quando ecossistemas se conectam, todos ganham: empreendedores, empresas e a economia do estado”.