O desafio de inovação das empresas tradicionais no novo ambiente digital

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O desafio de inovação das empresas tradicionais no novo ambiente digital

É preciso avaliar cada nova tecnologia e cada nova tendência não pela maneira como impacta seu modelo de negócio hoje, mas como irá criar seu próximo modelo de negócios.

É preciso avaliar cada nova tecnologia e cada nova tendência não pela maneira como impacta seu modelo de negócio hoje, mas como irá criar seu próximo modelo de negócios.

 

Por Eduardo Barbosa*

Não existe razão para que empresas digitais novas superem as empresas tradicionais, que podem ditar as regras e que já possuem clientes e produtos bem aceitos. O fato é que as tecnologias digitais mudaram a maneira como as empresas se comunicam com os clientes –  e a relação agora está mais interativa, instantânea e de mão dupla – impondo um processo pelo qual as empresas buscam desenvolver um produto mínimo viável, testam rápido e lançam novas ideias no mercado.

Vivemos em um mundo mais volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA), onde os consumidores valorizam poder mudar com muita rapidez e exigem propostas de valor personalizadas, forçando as empresas a pensar de outra maneira sobre como compreendemos valor para os clientes. As empresas tradicionais, portanto, precisam avaliar cada nova tecnologia e cada nova tendência, não pela maneira como impacta seu atual modelo de negócios, mas pela maneira como irá criar seu próximo modelo de negócios.

Tradicionalmente, a inovação focava unicamente no produto acabado. Na era digital, entretanto, as empresas precisam inovar de maneira radicalmente diferente, por meio da experimentação rápida e do aprendizado contínuo. Essa abordagem foca na identificação do problema certo e, então, no desenvolvimento, no teste e no aprendizado, envolvendo múltiplas soluções possíveis. Ao inovar por experimentação, não tentamos evitar ideias erradas – ao contrário, procuramos testar tantas ideias promissoras quanto possível, com rapidez e baixo custo, para identificar as que serão eficazes.

Neste contexto, é importante ter claro alguns princípios que devem permear toda a organização e estabelecer uma nova cultura, que exige: aprender cedo com o experimento, sendo rápido e iterativo (repetitivo); apaixonar-se pelo problema, não pela solução; buscar constantemente feedback confiável; medir o que importa no momento; testar os pressupostos constantemente.

NÃO HÁ, TAMBÉM, MAIS ESPAÇO PARA O MARKETING TRADICIONAL 

Nossos clientes já não podem ser considerados como um agregado de personas, ao qual se dirigiam o marketing e a propaganda em massa. As ferramentas digitais impõem às empresas a oportunidade de tratar cada cliente como únicos, clientes estes que estão o tempo todo se influenciando reciprocamente e construindo a reputação das empresas e das marcas. Neste sentido, precisamos explorar as redes de clientes engajando-os, co-criando com estes e alavancando os meios e modos pelos quais os clientes felizes influenciam outros clientes, criando um loop de novas oportunidades de negócios.

No que tange às informações, temos hoje de maneira muito acessível o armazenamento em nuvem, o que permite converter, tratar e aproveitar um número enorme de informações, impondo aos negócios tradicionais o desafio de organizar seus dados a fim de utilizá-los para a ciência de dados (data science). No passado os dados vinham somente de ERPs, CRMs e eram usados principalmente para previsões, avaliações e tomada de decisões gerenciais. Agora temos à disposição dados de canais, tráfego de sites etc., que devem ser utilizados para aprimorar produtos, canais, modelos de negócios e a jornada de nossos clientes.

O PONTO DE VISTA DO CLIENTE VEM ANTES DE SEUS PRÓPRIOS PRODUTOS

As empresas precisam pensar em desenvolver vantagens transitórias, que impulsionam os resultados durante algum tempo, mas devem ser sustentadas, constantemente, por novos impulsionadores de valor, na medida em que as velhas propostas de valor estão sendo sobrepostas a cada ciclo de evolução. Para isso, a corporação precisa abandonar o hábito de concentrar-se em seus próprios produtos e processos e empenhar-se em adotar o ponto de vista do cliente.

Todo este contexto nos impõe a necessidade de revisar o modelo de negócio, pois a transformação digital permite que as empresas criem e captem enorme valor ao facilitar as interações dos clientes, não se restringindo a seus produtos e serviços. Ou seja, a competição passa a ser por influência entre empresas, com modelos de negócio muito diferentes e propostas de valor cada vez mais personalizadas, buscando conquistar mais destaque junto ao consumidor final, rompendo com modelos de negócios lineares e construindo modelos de negócios mais em rede que geralmente são muito leves em ativos e podem gerar grandes receitas.

As empresas tradicionais precisam de novos referenciais para formular suas próprias estratégias, a fim de adaptarem-se e crescerem na era digital. O desenvolvimento de uma estratégia eficaz exige que se compreendam novos conceitos, como a experimentação rápida que pode envolver a aplicação contínua de testes.

Os desafios de lançar a partir do zero um negócio digital são muito diferentes dos desafios de tornar digital uma empresa tradicional, pois, envolvem clientes, competição, dados, inovação e proposta de valor. A verdade é que os clientes querem acesso a dados, a conteúdo e a interação com o máximo de rapidez, facilidade e flexibilidade possível e qualquer oferta que amplie esse acesso é extremamente atraente.

O QUE, AFINAL, OS CLIENTES DO UNIVERSO DIGITAL QUEREM? 

I) Acessar: precisamos ser mais rápidos e estar em todos os lugares;

II) Engajar-se: o conteúdo e a cultura de customer success é imprescindível;

III) Personalização: a proposta de valor tem que ser adaptável a necessidade de cada cliente;

IV) Conexão: precisamos nos tornar parte da conversa dos clientes;

V) Colaboração: convidar os clientes a participar de todas as formas.

Em suma, para serem bem-sucedidas nesta transformação digital, as empresas tradicionais devem ser capazes de desenvolver ideias, processos, iniciativas e perspectivas realmente novas e também de difundir e infundir essas ideias ou processos em toda a empresa.

 

*Eduardo Barbosa é CEO da Brognoli Imóveis.
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