[OPINIÃO] Muito além das vendas: os eventos como ferramentas estratégicas no compartilhamento de experiências

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[OPINIÃO] Muito além das vendas: os eventos como ferramentas estratégicas no compartilhamento de experiências

Área de eventos, que representa 4,5% do PIB, se recupera do colapso pós-pandemia recolocando empresas e produtos à frente do consumidor.

Atividade econômica que representa 4,5% do PIB do país (dados da ABRAPE), a área de eventos se recupera do colapso pós-pandemia recolocando empresas e produtos frente a frente com o consumidor. / Foto: Divulgação (SB+Eventos)


[26.10.2022]


Por Alisson Barcelos, Vice Presidente Executivo de Eventos da ADVB/SC e co-fundador da SB+Eventos

É impossível escrever sobre o mercado de eventos na atualidade sem relembrar os últimos dois anos, época em que o mundo inteiro sofreu com os impactos da pandemia de Covid-19. Se a maioria dos segmentos econômicos passou por um período de desaceleração, o mercado de eventos literalmente entrou em colapso. 

Para um setor cuja marca registrada é a participação das pessoas, a necessidade de isolamento social foi absolutamente catastrófica. Uma matéria publicada no portal G1, em fevereiro de 2021, já registrava que “mais de 350 mil eventos deixaram de ser realizados em 2020 (o número inclui shows, festas, congressos, rodeios, eventos esportivos e sociais, teatro, entre outros)”. Para que os prejuízos não fossem ainda maiores, o setor teve que se moldar rapidamente à realidade do momento. Assim, eventos online e híbridos passaram a substituir os tradicionais encontros presenciais, atendendo aos novos protocolos de segurança e saúde.

Uma característica que se fortaleceu durante o período e que sempre fez parte das qualidades do setor é a capacidade dos eventos de se comunicar de maneira assertiva com o público. Mesmo antes da globalização promovida pela internet, do uso da inteligência artificial nos negócios e até mesmo da aplicação das estratégias de gestão de relacionamento com o cliente serem difundidas em larga escala, os eventos já se configuravam como uma poderosa e eficaz ferramenta para estabelecer um diálogo positivo com o consumidor. É o momento em que a verdade transparece, já que a empresa ou o produto está frente a frente com o consumidor.

Nesse sentido, é de fundamental importância estabelecer os critérios que distanciam o conceito de propaganda e a proposta de um evento. Enquanto a propaganda diz respeito a uma ação orquestrada a longo prazo, objetivando uma conquista lenta do cliente, no evento as demandas são atendidas de forma rápida, instantaneamente, promovendo resultados imediatos. 

Assim, é possível estabelecer como principais benefícios de um evento:

  • Ampliar a visibilidade da marca ou do produto, especialmente quando os mesmos não possuem uma tradição consolidada no mercado;
  • Aumentar a base de contato e o cadastro de clientes para a o desenvolvimento de ações comerciais futuras;
  • Promover networking com clientes e parceiros visando a geração de novas colaborações e negócios;
  • Estreitar o relacionamento com os clientes ampliando o sentimento de pertencimento entre os participantes;
  • Promover premiações e distribuição de brindes e produtos com foco na divulgação e promoção da marca; 
  • Impulsionar as vendas e ampliar as margens de resultados em virtude do contato com um público selecionado, segmentado e interessado nas marcas e produtos.

EVENTOS: PALCO DE PLURALIDADE, EXPERIÊNCIAS E VIVÊNCIAS 

Dados da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE) indicam que o hub do setor é responsável por 4,5% do PIB do país e o faturamento anual é de aproximadamente R$ 314 bilhões. Essas estatísticas corroboram a certeza de que os eventos agregam valor para as marcas, têm forte apelo junto ao público e são um importante vetor de desenvolvimento econômico para as empresas que atuam na área. E isso tudo é possível porque, através de ações como palestras, feiras de negócios, congressos, seminários, workshops, shows e webinars, ocorre de maneira orgânica a construção de relacionamentos autênticos entre as marcas e seu público-alvo. 

Essa construção tem como alicerce justamente as vivências de caráter coletivo. Muito além do formato tradicional da comunicação em que por meio de um modelo estático o emissor envia a mensagem e o receptor passivamente recebe o conteúdo, os eventos são palcos da pluralidade, do compartilhamento de experiências, de vivências que agregam valor tangível e intangível à jornada do consumidor.

Se fizermos um breve recuo histórico no setor, é possível perceber claramente que mesmo antes da revolução tecnológica que se consolidou nos últimos anos, especialmente quando analisamos o mercado B2B, os eventos já exerciam um papel de destaque nas estratégias das empresas, pois possibilitavam aos clientes a vivência de uma experiência junto à marca.

Em linhas gerais, ao não ficar restrito apenas aos resultados das vendas ou à movimentação financeira gerada por uma ação, os eventos são experiências que agregam valor à jornada de compra dos clientes e à sua vida de forma geral. Essas experiências possuem um caráter de compartilhamento, ou seja, reforçam a ideia de coletividade e inclusão.

É válido destacar ainda que para harmonizar o comercial com o sensorial e fornecer resultados gerando impactos positivos nos participantes, é necessário planejamento, trabalho, dedicação, entusiasmo, resiliência e a aplicação das estratégias adequadas. Afinal de contas, profissionais e empresas que por meio de um evento decidem apresentar seus serviços e produtos tem por meta atender os desejos do player mais importante para qualquer negócio: o cliente.


*A Associação de Dirigentes de Marketing e Vendas de Santa Catarina é parceira editorial do SC Inova do canal Inovação & Gestão, com artigos publicados quinzenalmente pelos diretores da entidades.

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