[Cultura Digital] Desenvolvimento sem código, no code e o futuro da internet

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[Cultura Digital] Desenvolvimento sem código, no code e o futuro da internet

A rápida evolução das linguagens de programação geraram um ecossistema em torno de produtos e serviços que mudaram também a sociedade.

A rápida evolução das linguagens de programação gerou um ecossistema em torno de produtos e serviços que mudaram também a sociedade. Mas a alta demanda das empresas (e a necessidade de qualificação em massa) levou a um apagão de mão de obra. / Imagem: Adaptia


[19.02.2021]


Por Alexandre Adoglio, CMO na Sonica e empreendedor digital.
Escreve semanalmente sobre Cultura Digital para o SC Inova 

Ada Augusta King foi a única filha legítima do poeta Lord Byron e de Anne Isabella Byron. Desde cedo, foi incentivada por sua mãe a estudos de lógica e matemática e teve seu talento reconhecido na Londres do século 18, quando se tornou assistente de Charles Babbage na concepção da sua primeira máquina analítica. No envolvimento do seu trabalho com Babbage, a matemática agora conhecida como Ada Lovelace ficou responsável pela tradução de alguns manuscritos do francês para o inglês. Ela adiciou ao relatório suas próprias notas e observações, incluindo um algoritmo para a máquina analítica computar a Sequência de Bernoulli, intrincada sequência de variáveis aleatórias binárias que desafiava os sabidos de plantão.

Reconhecida desde então por ter desenvolvido o primeiro algoritmo processado por uma máquina, Ada Lovelace previu as inúmeras aplicações que o programação permitiria no futuro, tendo seu estudo publicado como The Ladie’s Diary e no Memorial Científico de Taylor. A máquina analítica acabou sendo reconhecida posteriormente como o primeiro computador e as anotações de Ada como a descrição de um computador e de um software.

Deste início já diverso, a linguagem de programação se desenvolveu em escala e velocidade, acompanhando ou mesmo dialogando com as inovações em hardware, fazendo com que a humanidade evoluísse de forma acelerada na última revolução que esta geração está vivendo, a da informação. 

NASCEM OS PROGRAMADORES

No início da década de 1940, muito depois da inovação proposta por Ada, o primeiro computador digital programável entrou em desenvolvimento – e sua construção começou a moldar o papel do programador. Nesta época nascia também a tarefa número 1 da profissão, corrigir bugs. Após a Segunda Guerra Mundial os trabalhos de codificação começaram a se ampliar e um programa que permitia aos usuários compilar linguagens de programação foi criado. Um codificador escreveria código semelhante ao inglês e um “compilador” tornaria o código binário para que o computador pudesse entender o código. 

Grace Hopper, uma analista de sistemas da marinha dos Estados Unidos na década de 1940, inventou a primeira linguagem de programação para usuários de negócios não técnicos: FLOW-MATIC, que embora fosse motivo de zombaria por muitos dos engenheiros tornou-se uma primeira visão do futuro sem código. Essa linguagem, apesar de já extinta, serviu como base para a criação do COBOL (Common Business Oriented Language) – usado até os dias de hoje em processamento de bancos de dados comerciais.

Nota-se aí que no início a concepção das principais linguagens de programação era direcionada para usuários de negócios não técnicos, com sua arquitetura no code ou low code. Porém, com produtos digitais mais complexos nas últimas décadas, as linguagens foram se tornando mais complexas e dependentes de mão de obra especializada.

A linguagem “C” entrou no jogo na década de 1970, junto com seus filhotes C ++, C # etc, sendo ainda hoje utilizada por grandes empresas como Google, Adobe e Microsoft. 

APAGÃO DA MÃO DE OBRA (OU) WHERE IS THE DEV?

Com o surgimento da internet na década de 1990 surgiram novas linguagens de codificação como PHP, Python, HTML, JavaScript, SQL, operadas para desenvolver sites, mídia social, streaming, aplicativos de telefone e análise de dados. O papel do codificador se expandiu e se dividiu em funções específicas de codificação, conforme os trabalhos de codificação explodiram e se tornaram mais competitivos no final do século XX.

Com esta aceleração no desenvolvimento, aliada a evolução tecnológica, as iniciativas de nações e empresas levaram a um verdadeiro boom no mercado computacional, gerando todo um ecossistema em torno de produtos e serviços que permitem uma nova etapa na vida em sociedade. Porém, com uma maior demanda, as empresas do setor acabaram sendo pegas de surpresas pela escassez de mão de obra qualificada, visto que estas linguagens mais sofisticadas necessitam de longo tempo de capacitação profissional, o que está causando um apagão de mão de obra.

Somente em Santa Catarina, estima-se uma demanda de mais de 5 mil vagas abertas no setor de desenvolvimento e programação, mesmo com ações do poder público e iniciativa privada para desenvolver novos profissionais na área.

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QUER ABRIR UM CHAMADO?

Por definição, as plataformas de Low Code permitem a entrega rápida de aplicativos de negócios com um mínimo de codificação manual e um mínimo de investimento inicial em configuração, treinamento e implantação. No Code foi uma reação ao aumento da necessidade de codificação, resolvendo alguns dos problemas de programação e criação com muito mais agilidade, pois:

  • É muito difícil para PMEs (Pequenas e Médias Empresas) encontrarem e contratarem um desenvolvedor sênior.
  • Equipes não técnicas são incapazes de codificar e precisam consultar os desenvolvedores sempre que necessitam de tarefas técnicas.
  • A lista de tarefas de um desenvolvedor fica acumulada com solicitações simples.
  • O processo de desenvolvimento leva muito tempo para ser concluído e as equipes não técnicas não podem se dar ao luxo de experimentar devido ao atraso dos desenvolvedores.

Em vez de escrever toneladas de código, com o No Code os usuários agora podem usar programação visual e recursos de arrastar e soltar. Isso democratiza totalmente a tecnologia e a coloca fora do alcance de alguns programadores.

RECONHECENDO O PASSADO PARA CONSTRUIR UM FUTURO MELHOR

De início o conceito No Code foi aplicado diretamente na experiência do usuário, como por exemplo a primeira rede social Orkut ou mesmo as interfaces iniciais do .iOS, que permitiam através de poucos movimentos que se configurasse uma página ou app. 

Plataformas No Code permitem aos usuários configurarem e gerenciarem websites sem a necessidade de nenhum conhecimento técnico.

Hoje grandes nomes como WordPress e Squarespace permitem que qualquer pessoa construa sites independentemente do desenvolvedor e isso foi incrivelmente útil para freelancers, startups e profissionais liberais que buscavam começar com um site mas não possuíam capital para tanto. A mesma utilidade logo se traduziu em outros espaços, como criadores de e-mail, IA, ferramentas de design e prototipagem. Agora ferramentas como Canva, Figma, Notion e Airtable avançam no espaço sem código e são essenciais para iniciar negócios, pois permitem que os fundadores de startups se movam com agilidade.

Em Santa Catarina temos a nossa Sonica, que já nasceu como uma plataforma No Code que permite aos usuários configurarem e gerenciarem websites sem a necessidade de nenhum conhecimento técnico. O maior diferencial está no atendimento, pois diferente de demais plataformas self-service, a Sonica faz todo set-up junto ao cliente, por meio de uma consultoria em marketing digital no primeiro acesso.

NO CODE # LOW CODE

Para ficar um pouco mais claro estes conceitos, vou simplificar um pouco meu entendimento de cada aspecto.

No Code: acessível a qualquer usuário PF ou PJ, a única curva de aprendizado é a integração da ferramenta e como usá-la em sua tecnologia.

Low Code: acessível a qualquer usuário com conhecimento limitado de codificação. Por exemplo, Sonica é uma ferramenta No Code mas oferecemos uma API de Low Code onde o cliente pode integrar outros sistemas e aplicativos com uma linha de código. 

O mais importante de tudo é que as ferramentas No Code democratizam a tecnologia, tornando a ciência de dados acessível e inclusiva, minimizando a lacuna de habilidades para colocar a presença digital nas mãos de todos.


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