[Conexão BR] Como o Mato Grosso está desenvolvendo seu ecossistema de inovação

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[Conexão BR] Como o Mato Grosso está desenvolvendo seu ecossistema de inovação

Com expansão dos recursos públicos e desenvolvimento de centros tecnológicos em pólos regionais, um dos estados que mais cresce no país quer se mostrar além do agro.

Com expansão dos recursos públicos e desenvolvimento de centros tecnológicos em pólos regionais, um dos estados que mais cresce no país quer se mostrar além do agro.

Na foto, o secretário de Inovação do MT, Allan Kardec, que apresentou um panorama exclusivo ao SC Inova.

Na série Conexão BR, o SC Inova começa a desbravar outros ambientes de inovação que estão em expansão pelo país – um reflexo do amadurecimento do tema em diversas cidades e estados brasileiros.


[12.04.2024]
Por Fabrício Umpierres, editor SC Inova – scinova@scinova.com.br

O Mato Grosso, reconhecido por seu robusto crescimento econômico, destacou-se em 2023 com uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 10,6%, superando em mais de três vezes o crescimento nacional, que foi de 2,9%. Esse incremento foi impulsionado, em grande parte, pela produtiva safra agrícola, que gerou uma expansão de 23,4% no PIB agropecuário estadual.

Consolidado como um dos maiores celeiros de alimentos do mundo, o Mato Grosso quer ser reconhecido no futuro como um ecossistema robusto de tecnologia, agregando vocações locais e agregando valor à cadeia agrícola. O estado conta com 15 regiões metropolitanas e três biomas diferentes (Pantanal, Amazônia e Cerrado), além do microbioma dos rios Araguaia e Tocantins, na divisa com o estado vizinho. 

“Somos um dos líderes mundiais em produção de alimentos, mas também queremos produzir ciência e tecnologia, verticalizar nossa produção numa industrialização sustentável.

Estamos muito preocupados com arranjos produtivos locais, bioeconomia dos biomas, negócios sustentáveis e avançar na produção de tecnologia”, explicou ao SC Inova o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Mato Grosso, Allan Kardec. Na pasta desde o início de 2023, o secretário tem buscado parceria com as outras “hélices” do ecossistema – academia, mercado e sociedade civil – para impulsionar projetos de pesquisa, desenvolvimento e fomento a novos negócios.

Em 2022, lembra Kardec, a Secretaria estava com orçamento decrescente (cerca de R$ 70 milhões) e havia a possibilidade de se tornar um departamento adjunto, esvaziado. Mas a maré virou em 2023, quando conseguiram dobrar o volume de recursos para R$ 140 milhões. Para este ano, o valor foi suplementado e soma R$ 180 milhões. “Nossa expectativa é que logo a Secretaria chegue a um orçamento próximo de meio bilhão, sendo que 30% disso é investimento em parceria e convênios”, afirmou. 

A biodiversidade é, sem dúvida, a principal vocação da região – foi inclusive o foco da Conferência de Ciência, Tecnologia e Inovação do estado, realizada em 05 de março passado. Mas o desafio desse ecossistema nascente é também desenvolver soluções para ampliar a digitalização de serviços, compras públicas (e-procurement) e plataformas de tecnologia acessíveis à população.  

“A Secretaria de Inovação é o ponto de encontro para projetos e empreendedores. Temos boa abertura com a Fapemat (Fundação de Apoio à Pesquisa), com a MT Desenvolve, banco estadual com linhas diretas para startups e a empresa de participações MTPar, para investimentos em boas ideias. Tivemos uma virada nos últimos anos e acredito que possamos crescer de maneira acelerada ao longo dos próximos 10 anos”, resume o secretário.

SINOP: ECOSSISTEMA EM EXPANSÃO

Um dos exemplos da expansão do Mato Grosso no ambiente de CT&I é o município de Sinop, localizado a 500 km ao norte de Cuiabá e com uma população de aproximadamente 250 mil habitantes, que já conta com uma Lei Municipal (aprovada em 2023) está estruturando um Conselho de Inovação, que vem construindo em conjunto as diretrizes para o crescimento neste setor, já tendo executado sua I Conferência de CT&I.


Foto: ecossistema reunido durante I Conferência de CT&I, no dia 05.03.2024, na Câmara de Vereadores de Sinop. / Foto: Divulgação

Sinop quer ser protagonista no cenário de inovação do Mato Grosso. Além de pólo agrícola, temos um PIB concentrado em comércio e prestação de serviços, contando também com faculdades, presença do Sistema S e outras entidades trabalhando de maneira integrada“, detalha o secretário municipal de CT&I Klayton Gonçalves.

Em conjunto com o Sebrae, o município definiu algumas das prioridades para esses primeiros passos do ecossistema local, como apoiar a criação de incubadoras e centros de inovação, implantar incentivos fiscais a serem reaplicados em inovação, fomentar comunidades e eventos do ecossistema, além do foco em áreas como Inteligência Artificial e cibersegurança.

A cidade foi a primeira a realizar, em março deste ano, o encontro municipal preparatório para a Conferência de Ciência, Tecnologia e Inovação do estado. Ainda neste ano, Sinop deve formalizar a criação do primeiro fundo de investimento municipal voltado a inovação.

Um dos pontos-chave para o desenvolvimento local é o projeto do Amazonik Innovation Parque, que está sendo planejado em conjunto com um investidor local, e que irá ocupar uma área de aproximadamente 140 mil m2, inserido em um território desenvolvido dentro dos conceitos de Cidades Inteligentes. 

O Amazonik Innovation Parque será um ambiente para promover a inovação por meio da conexão. A inovação pressupõe diversidade de atores, não se trata de um local para venda de terrenos ou locação de salas. Teremos um ambiente para conectar empreendedores, empresários, pesquisadores e investidores, orientado aos principais temas da região, sobretudo o agro. Além disso, estaremos inseridos em um projeto que será referência mundial em novo urbanismo, aplicando os mais modernos conceitos de Cidades Inteligentes.” explica Jean Vogel, ex-diretor de inovação do Governo de SC e do Ágora Tech Park, de Joinville, que está envolvido no desenvolvimento do projeto e foi o palestrante da I Conferência de CT&I de SINOP.

Como ressalta o secretário estadual, Allan Kardec, os projetos em desenvolvimento em Sinop estão bem alinhados com as diretrizes do governo do Mato Grosso. “O estado preserva mais de 60% da vegetação e ainda estamos avançando na produção. Mas como expandir sem desmatar? Melhorando a tecnologia no campo, a qualidade e a seleção de sementes, tornando as lavouras inteligentes. O terceiro setor e a Amazonik são parceiros e vamos investir juntos“, afirma. 

Para o secretário Klayton Gonçalves, “o ecossistema de Sinop está com drivers claro de onde pretende chegar. Nós já estávamos atuantes mesmo antes do governo apoiar, agora que há essa sinergia – e o Mato Grosso quer ser líder em tecnologia, vamos acelerar. O estado é rápido, mas Sinop é especialmente rápida quando se fala em inovação“.