Os pontos fortes e fracos de Florianópolis, Joinville e Blumenau no ranking da Endeavor

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Os pontos fortes e fracos de Florianópolis, Joinville e Blumenau no ranking da Endeavor

Catarinenses se destacam no Índice de Cidades Empreendedoras 2017, mas cada município tem desafios diferentes para ampliar a geração de negócios

Catarinenses se destacam no Índice de Cidades Empreendedoras 2017, mas cada município tem desafios diferentes para ampliar geração de negócios, aponta estudo

Os três maiores municípios de Santa Catarina estão entre as 15 melhores do Brasil para empreender, aponta o Índice de Cidades Empreendedoras, ranking divulgado nesta terça (28.11) pela ONG Endeavor. Pelo terceiro ano consecutivo, Florianópolis ficou na segunda colocação (atrás de São Paulo), enquanto Joinville obteve o 5o. lugar (foi 4o. em 2016) e Blumenau, em 11o., subiu duas posições. “Em termos de densidade, é um excelente resultado, apenas o estado de São Paulo tem mais cidades entre as primeiras colocações”, destaca Guilherme Lopes, coordenador da Endeavor em Santa Catarina.

A pesquisa, que abrange sete indicadores (ambiente regulatório, infraestrutura, acesso a capital, mercado, inovação, capital humano e cultura empreendedora), mostrou que Florianópolis se mantém em primeiro lugar no quesito capital humano, enquanto Joinville lidera no indicador ambiente regulatório (que envolve tempo para abertura de empresas, custo de impostos e complexidade tributária local). Blumenau, a catarinense que mais cresceu da última pesquisa para cá, figura no top 5 em três categorias: ambiente regulatório (3o.), inovação (4o.) e mercado (5o.). 

Na comparação com o ano passado, porém, Florianópolis teve um desempenho um pouco inferior (ver gráfico abaixo), mas manteve a vice-liderança devido à grande distância para a terceira colocada, Vitória (ES). Ainda bem posicionada com relação a acesso a capital e inovação (3o em ambos), a capital apresentou uma queda quando o assunto foi infraestrutura e ambiente regulatório.

“As cidades que estão investindo em ações de longo prazo para reduzir a burocracia e melhorar o ambiente de negócios são as que mais estão se destacando na pesquisa, como é o caso de Joinville e Blumenau”, comenta Guilherme. “As duas cidades estão fazendo um trabalho consistente nos últimos anos nesse sentido. São gestões que buscaram a profissionalização e que tem gente jovem tirando projetos do papel”.

Com relação a Florianópolis, o coordenador da Endeavor destaca o trabalho recente do município para reduzir entraves como emissão de alvarás e tempo de abertura de empresas, duas reclamações de longa data dos empreendedores locais. “Estamos acompanhando as ações e percebemos que a gestão municipal está se mexendo, criando um fundo de inovação e conversando com o setor privado para resolver alguns problemas. O nosso papel, junto com outras entidades, é de fiscalizar e cobrar resultados. Acredito que Florianópolis vá melhorar nos próximos anos”, conclui.  

A questão da burocracia virou a principal bandeira da Endeavor a partir da divulgação do Índice de Cidades Empreendedoras. Nesta semana, a ONG lançou junto com outras entidades a campanha nacional Burocracia Para Tudo uma petição online que vai enviar automaticamente um e-mail, a cada 500 novas assinaturas, para 650 representantes da população nas esferas federal, estadual e municipal: governadores de todos os estados e prefeitos das capitais, deputados federais e senadores, além dos ministros da Fazenda, Indústria e Comércio e o presidente da República.

O que falta para as cidades catarinenses avançarem

Joinville foi o principal destaque da pesquisa em 2016, quando saltou para o 4o. lugar, a primeira entre todas as cidades que não eram capitais. Neste ano, foi ultrapassada por Curitiba por uma pequena margem e melhorou em indicadores como ambiente regulatório e mercado. Porém, teve queda em acesso a capital, inovação, capital humano e se manteve na segunda metade da tabela (22a.) em cultura empreendedora. Indicador em que Blumenau também não se saiu bem (28a).

“O lado curioso é que as cidades que mais se destacaram nesse quesito em especial não estão bem colocadas no resultado final do índice. A cultura empreendedora não é algo que se mude do dia pra noite, estudos mostram que é preciso de mais tempo, pelo menos cinco anos para começar a se criar uma nova cultura como essa numa cidade”, argumenta Guilherme.

Na visão do coordenador da Endeavor, as duas cidades tem desafios diferentes para seguir crescendo no ranking: “Blumenau ainda é carente na questão do acesso a capital. Tem mercado e inovação, mas faltam investimentos de risco em empreendedores locais”. Para a maior cidade do estado, a sugestão é incentivar projetos e empreendimentos que possam crescer de maneira exponencial. “Joinville está no caminho certo, mas acabou ficando atrás de Curitiba pelo avanço e o tamanho da economia da capital paranaense. Há bons indicadores na cidade, mas se investir em empresas com alto potencial de crescimento, as scale ups, isso pode fazer a diferença no futuro’’, afirma.

Para Florianópolis, a questão chave é o ambiente regulatório. Para Guilherme Lopes, ela se destaca pelo crescimento dos negócios inovadores e acesso a capital (“5% dos deals em capital de risco no país no ano passado foram na cidade) mas a estagnação no índice é sinal que não pode ser ignorado: “se investisse mais na redução da burocracia, a cidade pode até ultrapassar a líder São Paulo”, opina.

O Índice de Cidades Empreendedoras da Endeavor pode ser baixado na íntegra e gratuitamente neste link.