Brognoli: o que fez um imobiliária sexagenária investir em projetos de inovação

Voce está em :Home-Negócios-Brognoli: o que fez um imobiliária sexagenária investir em projetos de inovação

Brognoli: o que fez um imobiliária sexagenária investir em projetos de inovação

Criar relacionamento com startups e repensar experiência do cliente foram as primeiras respostas da empresa à ameaça dos negócios mais disruptivos, como o AirBnB

Criar relacionamento com startups e repensar experiência do cliente foram as primeiras respostas da empresa à ameaça dos negócios mais disruptivos, como o AirBnB

Como uma empresa sexagenária, com atuação em um mercado tradicional, pode se tornar de fato inovadora e interagir no ambiente de startups e de consumidores cada vez mais digitais? Essa era a dúvida que atormentava a empresária Anaía Brognoli, 37 anos, diretora da Brognoli Negócios Imobiliários, uma das principais imobiliárias da Grande Florianópolis e representante da terceira geração da família no comando da empresa.

Há três anos, ela participava junto com outros jovens empresários membros da Associação Brasileira de Mercado Imobiliário (ABMI) de uma reunião em que a pauta era a tal “disrupção digital” provocada por startups como AirBnb e Uber. A partir dali, eles se convenceram que era preciso começar a pensar em soluções inovadoras para um mercado que parecia ser a bola da vez para ser derrubado por novos modelos de negócio. Foram o início de uma série de outros encontros em Brasília, Porto Alegre, além de imersão em técnicas como design thinking, procura por startups do setor, pesquisas etc.

Enquanto isso, em Florianópolis, Anaía, o pai Marcelo (que foi presidente da ABMI) e Eduardo Barbosa, atual CEO da empresa, fizeram um curso especializado em novos negócios e inovação e começaram a encarar os desafios do mercado com outros olhos. Foi quando surgiu um projeto de inovação aberta liderado pela Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), o LinkLab, que tinha como objetivo aproximar corporações de grande e médio porte interessadas em desenvolver soluções em conjunto com startups – um laboratório e tanto para quem queria entender a lógica das empresas nascentes de TI.

No início de 2017, a Brognoli se tornou uma das nove empresas – ao lado de Marisol, Ambev e outras dos mais diversos mercados – mantenedoras do LinkLab, um espaço em Florianópolis de 600 m2 com salas individuais e espaços abertos de convivência, onde se daria o processo de cocriação de ideias e projetos com as startups selecionadas.

O primeiro desafio, lembra Anaía, era fazer um pitch para dezenas de empreendedores e mentores: afinal, o que um tradicional empresa queria num ambiente de startups? “Nós queríamos que as pessoas parassem de odiar o processo com as imobiliárias e tivessem experiências satisfatórias”. A burocracia comum neste mercado – desde exigências com fiadores, seguros, até a entrega de imóveis – gera muita reclamação dos clientes, comenta: “melhorar a experiência passa por novas soluções e processos, digitalização, atendimento com chatbots, precisamos ser mais ágeis”.

“Entendemos que é possível crescer exponencialmente e estamos com mindset voltado para arriscar”, explica a diretora Anaía Brognoli. Foto: Mauri Cherobin

A partir do laboratório no LinkLab, a empresa começou a levar processos de inovação pra dentro de casa: “estamos focando em vários pontos de atrito com o cliente e buscando soluções para esses casos. É como trocar o pneu com o carro andando, pois não podemos parar tudo e começar do zero”. A Brognoli agrega hoje 210 profissionais – 180 colaboradores e 30 corretores associados – e uma carteira de 8 mil imóveis administrados (cerca de 30 mil clientes no total), além de outros 1,4 mil imóveis para locação (residenciais, comerciais e industriais) e 400 para venda na região da Grande Florianópolis.

A rotina de fazer inovação aberta

Entre setembro e dezembro passado, uma equipe de inovação com três funcionários, conduzida pelo próprio CEO Eduardo Barbosa, tinha contatos constantes no LinkLab com seis startups selecionadas para ajudar o propósito específico da Brognoli na área imobiliária – uma delas, a Go Good, mais fora da curva, atua na área de saúde e hoje está desenvolvendo ações para bem-estar dos colaboradores, com foco no aumento do engajamento. Além disso, a empresa está em negociações com outras startups como Bider, Trocalar e G4D, além de desenvolver em conjunto com a Izee de um novo módulo de CRM (relacionamento com o cliente) imobiliário totalmente digital. “A nova rotina ajudou a pensar de maneira disruptiva na experiência do nosso cliente”, diz Anaia.

“Nós queríamos que as pessoas parassem de odiar o processo com as imobiliárias e tivessem experiências satisfatórias”, disse a diretora da empresa no pitch de apresentação às startups

“Inovação não é aposta de curto prazo. Aprendemos muito no primeiro ciclo e quem conviveu com essas startups sente uma mudança de cultura”, lembra Joana Janssen, líder do grupo de inovação, integrado também pelos colaboradores Gabriel Brolezzi e João Pianna. “Queremos nos manter nesse ecossistema, conversando com outras empresas de TI, as construtechs, mapear eventos, outras startups. Oportunidades não são tão planejadas, tem que estar aberto”, ressalta Joana.

Alguns reflexos dessa “mudança de cultura” estão em novos projetos que a imobiliária lança em 2018, como uma nova loja no centro de Florianópolis que une espaço de coworking, em parceria com a S7 Coworking, e cafeteria. A aposta é no relacionamento com outros profissionais (de advogados a designers) ligados ao mercado imobiliário, além das startups que vierem do LinkLab. A empresa também quer instalar terminais de autoatendimento nas sete agências para serviços rápidos aos clientes.

“Entendemos que é possível crescer exponencialmente no nosso negócio, o que muitos acham que não é. Temos que investir no digital, no virtual, até porque 30% de quem entra no portal não mora na região em que atuamos. Poderíamos estar crescendo muito mais”, analisa a diretora.  A Brognoli, assim como as demais patrocinadoras, renovou com o LinkLab para 2018, com duas turmas ao longo do ano – as inscrições para startups interessadas estão abertas até o dia 24 de fevereiro.

“Estamos com mindset voltado para arriscar”, define Anaía Brognoli.