Funil da inovação: por que o cérebro nos impede de inovar – e como evitar as armadilhas

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Funil da inovação: por que o cérebro nos impede de inovar – e como evitar as armadilhas

São vários estágios internos, como um funil, que dificultam o processo de pensarmos e fazermos diferente – seja pessoalmente ou dentro das empresas.

São vários estágios internos, como um funil, que dificultam o processo de pensarmos e fazermos diferente – seja pessoalmente ou dentro das empresas. 

 

Por Lucas Madalosso* 

Qual a relação entre inovação e o cérebro humano?

Sou apaixonado por neurociência e, do pouco que estudei sobre este vasto tema, um dos pontos que mais fez sentido é a existência de quatro estágios para atingir a inovação/mudança. Estes estágios estão ligados a barreiras do cérebro que desafiam o processo de inovação e mudança tanto em humanos como em empresas.

 

1º ESTÁGIO – ECONOMIA DE ENERGIA

Comparando o processo de inovação com um funil de vendas, esta é a boca do funil, ou seja, 100% das pessoas e empresas começam aqui. Nesse estágio o cérebro tentará evitar que você gaste energia, fazendo o que for possível para manter as coisas como estão. 

Nosso cérebro trabalha fundamentalmente para poupar energia e preservar a vida,  privilegiando as funções básicas de sobrevivência, alimentação, reprodução e descanso. 

Todas as demais atividades requerem gasto de energia. É nesse ponto que começa a procrastinação e por isso que a maioria das “grandes ideias” não saem do papel. 

Para superar esse estágio é fundamental que se visualize um futuro melhor, enxergando algum estímulo ou motivação que a faça romper essa barreira, decidindo assim dedicar tempo e energia para inovar/mudar.

2 º ESTÁGIO – MOTIVAÇÃO 

Para superar a barreira anterior, basta então visualizar um estímulo ou motivação, e com isso surge um pote de energia chamado motivação. Esse potinho é super importante, pois ele nos ajuda a dar os primeiros passos rumo ao novo. 

Motivados por algum resultado diferente, podemos iniciar o processo de inovação. Isso também funciona para o emagrecimento, para quem deseja estudar mais, ganhar mais dinheiro etc. Alguns bons exemplos de busca por motivação são: ler um livro, ver um vídeo sobre um case de sucesso, ou participar daquele mega evento que te deixa super motivado para inovar.

No funil da inovação, 80% das pessoas chegam a este estágio, e ir para o estágio seguinte requer que o sujeito ou a empresa tome ações em relação seu objetivo! Como diria Tony Robbins: take massive action.


3º ESTÁGIO – DOR

O potinho da motivação é limitado e acaba rápido. Para aqueles poucos que decidiram agir  ao iniciar o processo da inovação, surgirá em seguida o componente da dor, pois todo o processo de inovação, sem exceção, será doloroso, uma vez que estamos forçando nosso cérebro/empresa a aceitar uma nova realidade. 

No funil da inovação, cerca de 8% das pessoas e empresas atingem o estágio da dor. No entanto, somente superam esse ponto aqueles que ressignificam a dor, enxergando-a como um passo importante e natural no processo de inovação.

O normal nesse estágio é encontrar uma boa razão para desistir. Somos máquinas de fabricar ótimas desculpas!

Entender e dar boas vindas à dor é um passo fundamental para criar coragem, e assim seguir em frente para chegar ao objetivo almejado.

4º ESTÁGIO – NEUROPLASTICIDADE

É nesse estágio que a mágica acontece. Menos de 1% das pessoas e dos processos de inovação chegam a esse ponto. 

Neuroplasticidade é a capacidade que nosso cérebro possui de mudar, adaptando-se a um novo nível, traçando assim novas rotas e caminhos, e a partir desse momento a inovação passa a ser algo consolidado e natural.

E o papel do líder? Em relação ao que foi falado neste artigo, cabe ao líder fazer o time enxergar em qual dos 4 estágios o projeto/processo está. Dessa forma o grupo consegue entender com mais clareza quais os perigos e desafios,  facilitando assim que a mágica da inovação aconteça!

 

* Lucas Madalosso é CEO e cofundador da Terraz Aluguel Digital e sócio na GPR Investimentos. Artigo originalmente publicado no LinkedIn do autor e cedido para publicação ao SC Inova.