Startup SC: 5 anos do programa que estimulou novas comunidades empreendedoras no estado

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Startup SC: 5 anos do programa que estimulou novas comunidades empreendedoras no estado

Em 2018, programa de capacitação amplia seleção e inicia turma em Joinville. “Em breve poderemos chegar a outras cidades”, cogita o gestor Alexandre Souza

Em 2018, programa de capacitação amplia seleção e inicia turma em Joinville. “Em breve poderemos chegar a outras cidades”, cogita o fundador do projeto, Alexandre Souza

São Paulo, novembro de 2016. A comunidade de empreendedores, investidores e profissionais ligados ao setor de tecnologia e inovação em Santa Catarina comemorava a vitória em diversas categorias do prêmio concedido pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups) em sua disputada conferência anual.

Entre os troféus, o de “melhor comunidade de startups” do país. Uma vitória que os membros da comunidade creditaram, em especial, a Alexandre Souza, gestor do Startup SC, mantido pelo Sebrae de Santa Catarina e também por empresas locais, algumas delas formadas pelo programa. Desde 2012, Alexandre tem se dedicado ao desenvolvimento de novas iniciativas de tecnologia e inovação em Santa Catarina por meio de programa de capacitação para startups, encontros regionais de relacionamento (os Meetups), missões ao Vale do Silício e atraindo também outros projetos, como o Startup Weekend, ao estado.

Uma pesquisa divulgada no ano passado com 102 empresas que passaram pelo programa mostrou que, do total de egressas, 66% continuam na ativa e em fase de crescimento. Somadas, as startups faturaram R$ 43 milhões em 2016 e geraram 585 empregos.  

Voltamos para Florianópolis, 2017. No evento que marcou o encerramento das atividades, no dia 22 de novembro, a novidade foi o anúncio da ampliação do StartupSC: em 2018 serão 30 projetos a serem selecionados para o programa de capacitação, que acontecerá em duas cidades, Florianópolis e Joinville, uma parceria com a Softville e a comunidade de empreendedores do norte do estado. “Acredito que em breve podemos o programa rodando em outras cidades”, cogita Alexandre. Ele também anunciou a realização, em julho do ano que vem, do primeiro Startup SC Summit, encontro estadual do ecossistema catarinense em Florianópolis que espera reunir 800 pessoas, entre empresas, investidores e profissionais da área.

Mas não faz muito tempo, falar sobre startups era como discursar em grego.

Formado em Ciências da Computação, Alexandre chegou ao Sebrae em 2000 como estagiário e era coordenador de TI quando começou a acompanhar o surgimento das primeiras startups no Brasil, por volta de 2011/2012. “Era um hobby, lia bastante sobre o assunto e resolvi criar um blog dentro do Sebrae sobre esse novo modelo de empresas”.

No Sebrae desde 2000, Alexandre foi um dos primeiros na entidade a acompanhar o mercado de startups no Brasil. E criou um programa pioneiro no país. / Foto: Divulgação

Aí surgiu a oportunidade de “criar algo diferente” para a Feira do Empreendedor que aconteceria na cidade de Blumenau em 2012. “Na hora sugeri: por que não fazemos algo sobre startups? Ninguém sabia direito o que era e eu fui explicando”.

Com o sinal verde do Sebrae, Alexandre começou a acompanhar os primeiros movimentos e eventos da comunidade de startups em Florianópolis. Foi se aproximando de alguns empreendedores e investidores que estavam por dentro desse mercado e começou a convidá-los para participar da Feira do Empreendedor. Nasceu naquela edição o Sebrae Startup Day, inicialmente um painel para 50 pessoas mas que ganhou forma com a vinda de palestrantes de renome nacional, fechou duas salas de 80 lugares e colocou outros 900 participantes no auditório principal, além de promover um desafio de startups que contou com 68 iniciativas inscritas.

O sucesso motivou Alexandre a escrever um projeto e encaminhar para o Sebrae nacional. “Foi como criar uma startup. Precisava de mentor, de validação do mercado. Aí fui conversar com o pessoal do ecossistema para cocriar o programa. Fiz várias reuniões com empreendedores, outra só investidores. Aí começou a surgir a ideia de um programa de capacitação e a missão ao Vale do Silício. O que a gente sabia era que o programa teria que ser retroalimentado pelo próprio sistema”, lembra.  Aprovado para um ciclo de quatro anos, o StartupSC começou efetivamente em 2013 com uma verba anual de R$ 300 mil para custear a turma de novas startups e a viagem aos EUA.

Nos primeiros anos, o Startup SC formava duas turmas por ano, mas o grande volume de demandas (Alexandre ainda se mantinha como coordenador de TI do Sebrae) e o crescimento do programa de três para cinco meses apertou o calendário – a partir de 2015, passou a ser apenas um grupo capacitado por ano. A crise então bateu forte e obrigou o Sebrae a enxugar custos: naquele mesmo 2015, um terço do orçamento ficou comprometido e a saída foi buscar apoio com o setor privado.

O que não foi difícil, lembra Alexandre: “fechei as cotas de patrocínio em três dias. E alguns dos patrocinadores eram startups que tinham passado pelo programa e já estavam crescendo bastante, como a Meus Pedidos, de Joinville e a Hiper, de Brusque, que toparam na hora”. Hoje, 30% do programa é mantido por empresas de tecnologia, aceleradoras e instituições de ensino.

Startup Weekend e a multiplicação de comunidades empreendedoras pelo estado

No mesmo ano em que o Startup SC começou, Florianópolis recebeu a primeira edição do Startup Weekend no estado, uma maratona em que os participantes precisam desenvolver soluções inovadoras e apresentá-las para uma banca de especialistas em apenas 54 horas (de sexta à noite a domingo fim de tarde). Este foi outro impulso para a comunidade empreendedora local, que começou a levar os protótipos do Startup Weekend adiante e assim começaram a surgir inúmeras soluções.

“O Startup SC foi agregando várias outras iniciativas. E a primeira coisa que eu fazia era convidar o pessoal que passou pelo programa para ajudar nos Startup Weekends. Até hoje, mais de 70% dos mentores são ex-alunos do programa”, comenta Alexandre.

Eventos como o Meetup, que só em 2017 reuniram 4,4 mil pessoas em cinco cidades, viraram ponto de encontro de atuais e futuros empreendedores. / Foto: Divulgação.

A febre se espalhou: foram 12 edições em 2016 e 14 em 2017, todos com apoio do Sebrae/SC, em cidades como Chapecó, Tubarão, Criciúma, Balneário Camboriú, Joinville, Blumenau, Concórdia e Palhoça. No ano que vem, o calendário de eventos ganha a chancela do governo do Estado, um dos novos patrocinadores. Essa disseminação dos eventos ajudou a fomentar comunidades locais de empreendedores que já estão gerando frutos. “Criciúma foi um exemplo: logo depois do Startup Weekend o pessoal começou a se reunir constantemente e fazer eventos. Chapecó também está seguindo esse caminho”, diz Souza.  Entre essas iniciativas, ainda há os Meetups do programa, que só em 2017 reuniram 4.443 pessoas nos cinco principais polos do estado, Florianópolis, Joinville, Blumenau, Criciúma e Chapecó.

Em Joinville, um grupo de empreendedores decidiu replicar o modelo do Startup SC para dar conta da demanda de eventos e de capacitação para os projetos locais. Em 2017, o coletivo Joinville Startups (capitaneado por Marcio Jacson dos Santos, egresso da quinta turma do StartupSC) rodou a primeira turma com o apoio da Softville e, a partir do ano que vem, vai dividir com Florianópolis a oitava turma do programa.

“O Marcio me perguntou se ele podia ‘copiar’ o modelo e eu achei ótimo. Se alguém quer tocar algo e eu não posso, é um favor para o ecossistema! Eu mesmo me inspirei muito no que o Guilherme Junqueira (fundador da startup Gama Academy) fazia no ambiente de startups de Mato Grosso do Sul”, comenta.

Após a consagração em 2016, outra comitiva com dezenas de empreendedores, investidores e profissionais do mercado de tecnologia do estado foi em peso para a Conferência da ABStartups na expectativa de repetir o feito do ano passado. Mas desta vez quem levou como melhor comunidade foi São Paulo. O que não desestimula o criador do Startup SC:

“É impossível nos compararmos a São Paulo. Eles estavam quietinhos, não se conversavam, mas agora estão se articulando forte. O Michel Porcino, da SP Stars e que levou o troféu neste ano disse que lá eles também replicam muita coisa que a gente fez por aqui. O importante é que o StartupSC veio no momento certo, nasceu como uma startup, foi validado logo no MVP e está ajudando várias comunidades empreendedoras no estado”.