O Vale do Silício da Energia? Em SC, empresas de TI unem-se para gerar inovação às grandes deste mercado

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O Vale do Silício da Energia? Em SC, empresas de TI unem-se para gerar inovação às grandes deste mercado

Em um setor que passa por mudanças profundas, participantes da Vertical Energia da ACATE articulam ações e projetos para colocar SC na vanguarda da tecnologia

Em um setor que passa por mudanças profundas, participantes da Vertical Energia da ACATE articulam ações e projetos para colocar SC na vanguarda da tecnologia. Fotos: José Somensi

 

Como será o futuro do mercado de energia e das grandes empresas geradoras e distribuidoras? Basta pensar em tendências cada vez mais próximas dos consumidores, como os painéis solares, as usinas eólicas e de biomassa, sem falar na ascensão dos carros elétricos…

“O setor de energia está passando por grande transformação, ficando de cabeça pra baixo, e no mundo todo”, resume o engenheiro Ricardo Grassmann, um dos fundadores da Way2 Tecnologia e atual diretor da Vertical Energia da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), que reúne cerca de 20 empresas do estado que atuam neste mercado. Juntas, elas debatem os desafios do setor e tentam compreender – e desenvolver soluções – para seus clientes: empresas de grandes porte (usinas, concessionárias de energia, geradoras, distribuidoras etc.) que atendem a milhões de consumidores.

Nascido em 2010 junto com o projeto das Verticais de Negócio, o grupo reuniu inicialmente um grupo reduzido de empresas (como Reason, Reivax, Paradigma, Cebra e Way2) , que praticamente atendiam os mesmos clientes embora não fossem concorrentes diretos, pois forneciam diferentes produtos e serviços. O primeiro diretor foi Guilherme Bernard, fundador da Reason, que deixou a Vertical em 2012 para assumir a presidência da Acate.

“Nosso desafio inicial era nos conhecermos e entender a nossa diversidade para ver as possibilidades de conexão e negócios. Esse foi o primeiro benefício no começo”, explica Ricardo, que passou a coordenar a Vertical desde então. Um exemplo dessa atuação conjunta foi o projeto de um equipamento de medição fasorial que a Reason desenvolvia à época com o Laboratório de Planejamento de Sistemas Elétricos (LabPlan) da UFSC. Era um produto inovador que até hoje ajuda o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a identificar problemas em linhas de transmissão no país. Mas faltava um software para integrar as informações – que acabou sendo criado pela Way2, desenvolvedora de softwares para telemedição e aplicações de inteligência no setor elétrico.

Uma coisa em comum entre as participantes da Vertical Energia era que nós em geral não éramos concorrentes mas tínhamos os mesmos clientes, que eram empresas muito grandes – e empresas desse porte têm muita dificuldade de comprar de pequenos. Por isso fazia muito sentido nos unirmos e entregar projetos complementares”, explica Ricardo.

 

O desafio inicial era nos conhecermos e entender a diversidade entre as empresas para ver as possibilidade de conexão e negócios”, lembra o diretor da Vertical Energia, Ricardo Grassmann. / Foto: José Somensi.


É o caso da GTX Tecnologia, de Florianópolis, que
fornece infraestrutura de redes em obras de usinas e outros projetos de construção no setor elétrico. “Atuamos como consultores na integração de produtos e soluções de outras empresas da Vertical, pois nossos serviços são complementares”, explica o diretor comercial Altair Medeiros. A empresa desenvolveu, por exemplo, uma ferramenta de monitoramento eletrônico em tempo integral da infraestrutura de rede, ajudando os clientes a cumprir recomendações legais, mitigando eventuais multas e problemas com órgãos reguladores.

A GTX, que conta com uma equipe de 13 pessoas, já atendeu projetos de diversas fontes de energia (hidrelétrica, solar, biomassa, eólica) em todo o país, para empresas do porte de Siemens, Votorantim, CPFL Renováveis, entre outras. “Desde o início de nossa participação na Vertical, em 2015, estamos colhendo frutos: networking, relacionamento e reforço de imagem, pois ganhamos autoridade como fornecedores para grandes players”, explica. E isso se traduz no resultado financeiro da empresa, cuja receita era de aproximadamente R$ 400 mil em 2016 e deve fechar em torno de R$ 1,5 milhão neste ano.


UMA MEDIDA PROVISÓRIA NO MEIO DO CAMINHO

Qualquer representante de empresa que atue no setor elétrico vai lembrar do dia 11 de setembro de 2012. E não serão boas lembranças. Foi nesta data que a então presidente Dilma Rousseff sancionou a Medida Provisória 579/12, que tratava da renovação antecipada das concessões das geradoras e transmissoras que venciam entre 2015 e 2017 (mais detalhes aqui).

A decisão, que tinha como objetivo baratear em cerca de 20% o custo da energia para o consumidor final, acabou gerando um desequilíbrio financeiro bilionário no setor, já que nem todas as geradoras – como Cemig (MG), Copel (PR) e Cesp (SP) – aderiram ao plano do Governo Federal. E aquelas que aceitaram antecipar a concessão, para não passar por novo processo licitatório anos depois, se submeteram a uma redução de 66% das receitas da geração do megawatt/hora (R$ 150 para R$ 50).

“Acontece que naquele momento, e estudos já indicavam isso, estava começando um período de seca”, lembra Ricardo. E, ao mesmo tempo, o Governo Federal deixou de promover leilões nos quais as distribuidoras contratariam energia para atender ao aumento de demanda. Segundo o pesquisador Jaques Alberto Bensussan, da Fundação de Economia e Estatística (FEE) do Rio Grande do Sul, “devido ao desequilíbrio financeiro que a MP causou no setor, o Governo Federal, para beneficiar a população em R$ 16,8 milhões – o equivalente à redução da tarifa – gastou R$ 61 bilhões”.

Nos anos de 2014 e 2015, lembra o diretor da Vertical, “o mercado parou”, o que obrigou as empresas fornecedoras e pensar em novos caminhos e estratégias para levar inovação a um setor que começaria a ser afetado por outras tendências tecnológicas e novos modelos de negócio.

 

Complementaridade: a GTX, do diretor comercial Altair Medeiros, fornece serviços de telecom para projetos do setor elétrico. “Na Vertical não somos apenas associados, mas parceiros”, ressalta. / Foto: José Somensi.


ENERGY SHOW: UMA COMUNIDADE ENTRE TÉCNICOS E EMPREENDEDORES

Em meio ao caos no setor elétrico no país, surgiu a ideia da Vertical “abraçar” um evento então organizado pela Reason Tecnologia aos seus clientes, o Energy Show. Assim, todas as participantes do grupo da Acate passaram a organizar e patrocinar o encontro, que reúne um número seleto de participantes – entre 150 a 200 pessoas – que atuam em áreas-chave na operação das grandes empresas do setor.

“Cada empresa convida seus clientes para discutir inovações tecnológicas. Queríamos que o mercado nacional olhasse pra gente e dissesse: ali em Santa Catarina tem inovação e tecnologia de ponta”, afirma Ricardo.

Já que as empresas de pequeno e médio porte da Vertical não têm condição de competir com os projetos gigantescos de inovação dos maiores conglomerados mundiais (como Siemens, GE e outras), a saída foi criar uma conexão com os clientes para que utiizassem suas verbas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) construindo soluções com o pool de empreendedores de Santa Catarina.

“Não queremos ser os maiores, mas os mais inovadores, os que vão antecipar as tendências de um setor que está mudando radicalmente. No setor elétrico posso dizer tranquilamente que somos o Vale do Silício do Brasil – e queremos vincular essa imagem à Vertical”.

Para o diretor da GTX, “como somos um ecossistema de soluções, não nos vemos como associados, mas sim parceiros. Nós fornecemos serviços e produtos complementares e isso nos dá conhecimento e compreensão do próprio negócio. Por isso acabamos desenvolvemos soluções cada vez mais aderentes e personalizadas para o setor”.

Reportagem: Fabrício Rodrigues, scinova@scinova.com.br 

 

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