Foco de mercado e cultura corporativa: os desafios para a internacionalização na Involves

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Foco de mercado e cultura corporativa: os desafios para a internacionalização na Involves

Evento na Bolívia, funcionários na Colômbia e México: empresa de Florianópolis dá os primeiros passos para levar sua tecnologia de trade marketing para a América Latina.

Evento na Bolívia, funcionários na Colômbia e México: empresa de Florianópolis dá os primeiros passos para levar sua tecnologia de trade marketing para a América Latina

No próximo dia 26 de julho, a Involves chega a Santa Cruz de la Sierra para organizar a primeira edição internacional de seu evento itinerante AEx Pocket, que deve reunir entre 100 e 200 profissionais da área de trade marketing na maior cidade boliviana. Ao contrário da vizinha Colômbia, mais rica e com população quatro vezes maior, o mercado da Bolívia não costuma estar nas prioridades de empresas exportadoras do Brasil, mas foi onde a Involves, que completará 10 anos em 2019, desenvolveu em parceria com um parceiro local um canal de vendas que, além de trazer novos clientes, serviu como teste para passos mais largos. Como México e Colômbia, os próximos alvos.  

“Avançamos muito no último ano para trazer o conceito de internacionalização para todo o time. A virada de cultura é muito complexa, pois não se trata só de vender pra fora e traduzir conteúdo”, aponta o co-fundador e agora CEO André Krummenauer. Desde o início da Involves, ele liderou as área de finanças, cultura e gestão de pessoas e, após a saída de outro cofundador, Rodrigo Lamin, assumiu a direção executiva da empresa.

Vender para fora do Brasil não é novidade para a Involves. Há pelo menos cinco anos, a desenvolvedora de softwares para gestão de trade marketing atua no mercado sul-americano – o primeiro projeto foi na Argentina, auxiliando promotores nos pontos de venda da Motorola, depois levado para outros países. A operação internacional tem crescido proporcionalmente em relação aos clientes no Brasil: nos últimos quatro anos, o mercado externo representa cerca de 10% do faturamento. “Temos times em nossa sede que trabalham exclusivamente com o mercado internacional”, comenta André.

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Os estrangeiros sempre foram bem-vindos na empresa, que se notabilizou pelo ambiente diferenciado de trabalho e venceu nos últimos anos a pesquisa Great Place to Work na categoria pequenas empresas em Santa Catarina – e ficou em terceiro lugar entre as companhias de tecnologia do Brasil. Depois de aculturar pessoas de outros países na equipe (em especial colombianos), a estratégia agora é levar alguns “involvidos”, como são chamados os colaboradores, para os mercados-chave. Como adianta André: “ainda não definimos nomes, mas a ideia é levar profissionais nossos para serem country manager nesses mercados e também levar a cultura da empresa, algo que é muito forte pra gente, e depois contratar pessoal local”.  

Involves levou seu evento itinerante a São Paulo (foto), RJ, BH e Fortaleza antes de organizar a primeira edição internacional, nas próximas semanas, na Bolívia. / Foto: Divulgação Involves

Nos últimos anos, a Involves passou por um crescimento acelerado: entre 2013 e 2017, a receita anual passou de R$ 2,1 milhões para R$ 18 milhões, enquanto a equipe saltou de 30 para 150 colaboradores. Para este ano, a expectativa é crescer cerca de 50% frente aos resultados do ano passado, o que significa um faturamento em torno de R$ 26 milhões. Depois de levar o AEx Pocket no primeiro semestre para São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Fortaleza, a Involves vai organizar em setembro seu principal evento, o Agile Experience, que espera reunir 1,2 mil pessoas em Florianópolis, com palestras, workshops e feira de negócios.

“APRENDEMOS QUE É PRECISO FOCAR EM ALGUNS PAÍSES”

Algumas viagens internacionais recentes dos sócios mostraram que há outros mercados além da América Latina a serem explorados. Em Portugal, André e o CTO Gabriel Menezes descobriram oportunidades de negócios e uma sinergia de cultura (além do idioma, é claro). Nos Estados Unidos, onde o CSO Guilherme Hobold ficou por alguns meses, a solução da Involves tem fit (encaixe) com o mercado, diz André. “Mas um dos principais desafios ao internacionalizar a empresa é definir um foco específico. Organicamente crescemos mais na América Latina, mas para onde vamos a partir de agora? O que aprendemos é que é preciso focar em alguns países”, comenta o CEO. Apesar do foco nestes mercados específicos, o CEO acredita que, em meia década, é possível entrar nos principais países latinos – e ganhar novos territórios a partir disso, em especial no Oriente Médio.

Há alguns meses, a Involves recebeu em sua sede, em Florianópolis, diretores de outras empresas da cidade com atuação na América Latina, como a Agriness (software para suinocultura), Audaces (software e hardware para o setor têxtil) e a Resultados Digitais (tecnologia para automação de marketing). Foi o início de um grupo de debates no setor de TI local para trocar experiências sobre internacionalização.

“É um movimento que não era muito forte até então. O Guilherme foi quem puxou esse evento e é um dos embaixadores desse grupo de internacionalização. Isso é muito importante porque Floripa – e o Brasil como um todo – é  um mercado que ainda não se vê com potencial global”, defende.