Como estimular uma comunidade empreendedora? O exemplo do Startup Weekend em Joinville

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Como estimular uma comunidade empreendedora? O exemplo do Startup Weekend em Joinville

Saiba como entidades e empresas se uniram para viabilizar o evento de inovação na cidade e ajudaram a transformá-lo em impulso para gerar novas ideias e negócios

Saiba como entidades e empresas se uniram para viabilizar o evento de inovação na cidade e ajudaram a transformá-lo em impulso para gerar novas ideias e negócios. / Fotos: Max Schwoelk

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Levar para a maior cidade de Santa Catarina um evento que se tornou referência mundial em desenvolvimento de ideias para negócios inovadores foi a missão que três empreendedores encamparam após uma participação no Startup Weekend, em Florianópolis, no final de 2015. Naquele momento, a capital catarinense já era um reconhecido celeiro de empresas de tecnologia e startups no país, com diversos eventos acontecendo e presença de aceleradoras, incubadoras e alguns fundos de investimento – uma nova perspectiva para a cidade que historicamente tinha como base econômica o serviço público e o turismo.

Na visão de Marcio Jacson, Jorge Henrique Weigmann e Camilo Grizza – o trio que ficou responsável pela organização do primeiro Startup Weekend (SW) em Joinville, no início de 2016 – promover um evento como o SW na cidade onde surgiram grandes empresas de tecnologia, como a Datasul, poderia ser um estímulo e tanto para aquecer a comunidade empreendedora. Até porque já mostrava um potencial no universo das startups, com o crescimento da ContaAzul (referência nacional no ecossistema brasileiro de inovação), Asaas, MeusPedidos, Treasy, entre outras que começavam a surgir. Foi Marcio Jacson quem iniciou a articulação, ao propor ao Sebrae um apoio para realizar o evento na cidade. Jorge Henrique, que também tinha participado do SW em Florianópolis, embarcou no projeto desde o começo e, algumas semanas depois, a equipe ganhou o reforço de Camilo, responsável por organizar o TEDx em Joinville.

Alexandre Souza, gestor do StartupSC: “a experiência em Joinville ajudou a validar a expansão do programa no estado”.

“O Startup Weekend tem como objetivo estimular as comunidades locais”, explica Alexandre Souza, gestor do programa StartupSC no Sebrae/SC e responsável também pelo gerenciamento dos Startup Weekends no estado. “Até 2014, os eventos aconteciam basicamente em Florianópolis e a partir do ano seguinte começamos a mapear outras cidades que poderiam receber eventos como o SW e os meetups do programa StartupSC. Organizamos um meetup dentro da Expogestão, em Joinville, e depois surgiu a oportunidade de fazermos um Startup Weekend. Quando o Marcio chegou com a ideia, nós apoiamos e a equipe em seguida começou a organizar”, lembra Alexandre.

Segundo ele, a iniciativa ajudou a validar a expansão não só do Startup Weekend pelo estado como do programa Startup SC. “Joinville hoje tem um cenário bem forte, com muitos empreendedores que passaram pelo nosso programa de capacitação e que agora são mentores de novas startups. Tanto é que organizamos na cidade a primeira turma fora de Florianópolis, no ano passado, e já selecionamos outras 10 startups que vão participar do programa em 2018. Esse é nosso modelo de expansão e esperamos levar para outras cidades do estado”. O Startup Weekend, promovido pelo Sebrae/SC e pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS) do governo do estado, teve 12 edições em 2016, 14 em 2017 e terá 16 neste ano. Duas delas em Joinville.

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Marcio Jacson, que liderou a organização do primeiro evento: “era muito difícil conseguir recursos no começo, especialmente para um evento que as pessoas não conheciam”.

Percalços e desafios do primeiro evento

O apoio do Sebrae/SC garantiu mais da metade dos recursos para levar o Startup Weekend a Joinville no começo de 2016. Mas não seria possível realizar um bom evento sem a fatia que ainda faltava. “Era muito difícil conseguir recursos naquele momento, especialmente para um evento que as pessoas não conheciam”, comenta Marcio Jacson, que firmou como pessoa física o contrato de patrocínio e uso do espaço, já que não havia até então uma empresa ou entidade que respondesse pelo evento.

Um dos primeiros apoiadores do evento foi o escritório de advocacia Silva Santana & Teston, que já tinha um DNA de tecnologia. Um dos sócios, Marcus Silva, foi programador na década de 1980, no tempo das linguagem Cobol e C, e depois se tornou gerente jurídico da Datasul. O escritório surgiu, anos depois, como um prestador de serviços terceirizado da empresa. “Se o setor de tecnologia está precisando de apoio, vamos apoiar, incondicionalmente. Ficamos felizes com o desenvolvimento desse mercado, seja em que cidade for, mas especialmente na nossa. É notório o quanto outras regiões crescem com base na inovação”, lembra Marcus, que testemunhou o surgimento das primeira geração de empresas de TI local.

Marcus Silva, da Silva Santana e Teston Advogados, um dos primeiros patrocinadores: “Ficamos felizes com o desenvolvimento desse mercado”. / Foto: Divulgação

Formado em processamento de dados, ele foi trabalhar no centro de tecnologia da Embraco e depois percebeu que uma formação em Direito abriria novas possibilidades no setor. “São duas linguagens muito técnicas que muitas vezes não se entendem. O empreendedor de TI é muito exigente e criativo e, ao atender como advogado esta área me ajudou a refinar o trabalho com outros segmentos que atendemos, como metal mecânico, química e construção”, detalha Marcus, que abriu o escritório há 15 anos e atendia, à época, somente empresas de tecnologia – hoje o portfólio cresceu e abrange vários setores.

O primeiro Startup Weekend aconteceu em março de 2016, na sede da Associação Comercial e Industrial de Joinville (ACIJ), que também foi apoiadora, cedendo espaço e infraestrutura. Contou também com outros apoiadores, como o InovaParq/Univille e o Co.W Coworking, que ajudaram a dar suporte a um evento que reuniu dezenas de mentores, 120 empreendedores e gerou 14 projetos ao longo de 54 horas de imersão em metodologias para desenvolvimento de startups.

O sucesso da primeira edição atraiu também o apoio da Softville, que se tornou a partir de então o agente local para realização do Startup Weekend. Como lembra Marcio Jacson, “com o apoio de uma entidade reconhecida, que atuava há 20 anos, ficou muito mais fácil para buscarmos apoio nas edições seguintes”. O segundo evento aconteceu em novembro do mesmo ano, desta vez no Perini Business Park. Desde o começo, a ideia era realizar cada evento em um local diferente da cidade: “para dar um senso de pertencimento, a comunidade deveria ser itinerante. Temos que sair da zona de conforto e correr atrás para envolver o máximo de pessoas e entidades”. E assim foi, desde então: a terceira edição, focada em Internet das Coisas (IoT), foi realizada na Udesc, a quarta (no fim de 2017) no recém inaugurado Instituto da Indústria do Senai e o próximo, que começa na sexta, 13 de abril, será no Centro de Exposição da Univille.

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“As ideias de startup estão cada vez menos ingênuas”, avalia Gabriel Jacques, head de Inovação na Ibratan Ilimitada, patrocinada de edições do SW em Joinville.

A realização constante do Startup Weekend em Joinville foi também amadurecendo as ideias empreendedoras. Para Gabriel Silva Jacques, head de Inovação da Ibratan Ilimitada, que foi patrocinadora do Startup Weekend em três edições: “as ideias de startup estão cada vez menos ingênuas. Tem muito menos ‘uber de determinado segmento’ ou aplicativo pra fila de balada e mais projetos interessantes e originais”.

Com 22 anos de mercado, a Ibratan viu no evento uma forma de valorizar o mercado local: “temos um ecossistema com muitos profissionais afiados e sabíamos que não seria apenas um apoio formal, pois renderia bons frutos”. E ajudou também internamente, na equipe de inovação, formada por quatro profissionais. “O evento mudou bastante meu mindset com relação à possibilidade de fazer as coisas de maneira mais ágil, de superar limites. Inclusive desenvolvemos um projeto de inovação já aprovado pela Finep”, diz Gabriel.  

Novos talentos empreendedores  

O apoio ao Startup Weekend marcou uma nova etapa para a Softville, afirma o presidente Dionei Domingos: “foi muito importante para nós, como entidade, nos aproximarmos destes empreendedores – o evento é um celeiro de boas ideias e de negócios promissores”. Como premiação aos três melhores colocados, a Softville oferece processo de incubação sem custo por determinado período, além de conexão com outros empreendedores, mentorias e entradas para eventos do ecossistema. “Antes não tínhamos um processo de atração destes empreendedores, éramos mais reativos. Com o Startup Weekend nos apresentamos a essa comunidade, já que muitos desses empreendedores não nos conheciam, apesar de termos infraestrutura e muitos mentores. Agora mudamos a forma de captação de startups, os processos são menos burocráticos”, resume Dionei. Para ser selecionado à incubadora, os empreendedores respondem um formulário simplificado para avaliar potencial e modelo de negócio. Em seguida, é feita entrevista com banca para identificar critérios como perfil e complementaridade dos empreendedores, capacidade de escala e inovação, entre outros aspectos.

Além de uma mudança na visão estratégica e no relacionamento com as startups, Dionei cita outra “herança” da articulação em torno do Startup Weekend: pessoas interessadas em participar do ecossistema de inovação local que ajudaram não só a realizar o evento mas também se integraram a entidades e empresas locais para desenvolver novas ideias e projetos. Daniel Wendorf, por exemplo, surgiu com uma ideia de negócio durante o SW e não se acomodou por aí: hoje atua como fomentador de eventos, mentor e gerente de projetos. Indicado pela Softville, hoje ele preside o núcleo de tecnologia e inovação na ACIJ. Já Rafael Miranda Moller, que participou de três Startup Weekends e ajudou a organizar uma das edições é outro destaque: ajudou a desenvolver o projeto social Coleta Lacre, é fundador da PagueDepois, um sistema de gestão de cobranças que ele chama de “caderninho as a service” e hoje é mentor de outras iniciativas inovadoras.

Para Dionei Domingos, presidente da Softville, o Startup Weekend ajudou a apresentar a incubadora a uma nova geração de empreendedores. “Nossos processos ficaram menos burocráticos”, explica.

“Os eventos nos trouxeram essas pessoas, que tem um potencial de mobilização enorme. A entidade não é dona de nada, apenas participamos e articulamos algumas ações. Foi como se em determinado momento, várias pessoas que estavam com uma mente aberta e determinação se encontraram e passaram a atuar em conjunto. O Startup Weekend nos ajudou a surfar nessa onda”, resume Dionei.

Com a comunidade de empreendedores aquecida, a expectativa para os próximos meses na região é com a instalação do Ágora TechPark, um parque tecnológico que será instalado em uma área de 70 mil metros quadrados, dentro do Perini Business Park (que hoje patrocina o programa Startup SC), maior condomínio industrial da América do Sul. Nos 300 mil metros quadrados do Perini, há 150 empresas que faturam anualmente cerca de R$ 4 bilhões. No Ágora, que terá as obras iniciadas no segundo semestre deste ano e previsão de entrega em março de 2019, devem se instalar aceleradoras, incubadoras, startups, fablabs, software houses, centros de pesquisa e outras iniciativas ligadas a inovação e tecnologia.

Para o advogado Marcus Silva, que além do Startup Weekend também começou a apoiar também o programa Startup SC, o crescimento do ecossistema local faz juz à história da cidade: “Joinville liderava o desenvolvimento de tecnologia e inovação em software até o início dos anos 2000. Estou muito satisfeito com o trabalho de algumas lideranças que estão fazendo essa chama na região renascer”.