Como as healthtechs catarinenses se unem para gerar inovação e negócios em um mercado de gigantes

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Como as healthtechs catarinenses se unem para gerar inovação e negócios em um mercado de gigantes

Por meio da Vertical Saúde da ACATE, dezenas de empresas de pequeno e médio porte fortalecem conexões e tornam SC uma referência em tecnologia para o setor.

Por meio da Vertical Saúde da ACATE, dezenas de empresas de pequeno e médio porte fortalecem conexões e tornam SC uma referência em tecnologia para o setor

 

O consumo de bens e serviços de saúde no Brasil atingiu R$ 546 bilhões, o equivalente a 9,1% do PIB, segundo dados divulgados pelo IBGE no final de 2017. Deste total, R$ 315 bilhões representa despesas de famílias e instituições sem fins lucrativos – o restante vem do consumo do governo.

Como um mercado de tamanha proporção – no qual atuam diversos players de grande porte (de seguradoras a fornecedoras de insumos, redes de hospitais e laboratórios) – pode gerar negócios para pequenas e médias empresas de base tecnológica em um pequeno estado da federação, como Santa Catarina?

A resposta veio na forma de um grupo de relacionamento entre empreendedores do setor, a Vertical Saúde, criada pela Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) no início da década e que hoje reúne mais de 30 empresas que faturam juntas cerca de R$ 100 milhões por ano e geram 645 empregos diretos. São fornecedoras e desenvolvedoras de produtos e serviços em áreas como diagnóstico por imagem, gestão de informações médicas, nanotecnologia, biotecnologia, genética, apps para saúde preventiva entre outras soluções.

“Santa Catarina é o estado mais competente no desenvolvimento de tecnologia para saúde”, afirma Walmoli Gerber, empresário e diretor da Vertical Saúde da ACATE. “Não pelo volume de negócios, mas pelo número de pequenas e médias empresas com produtos sólidos. Nós conseguimos enxergar o mercado e inserir inovação”. Em 2016, as participantes da Vertical cresceram em 40% no faturamento e, no ano passado, a expansão média foi em torno dos 30%. (ver box ao final do texto)

SC é o estado mais competente no desenvolvimento de tecnologia para saúde. Nós conseguimos enxergar o mercado e inserir inovação”, opina o diretor da Vertical, Walmoli Gerber.

O maior desafio de quem atua no setor de saúde é o ciclo de desenvolvimento e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), exigência para colocar produtos no mercado. “Quando a Vertical começou, o principal desafio de quem participava era obter o registro. Éramos umas 10 empresas e metade delas não tinha ainda conseguido o documento da Anvisa”, lembra Walmoli.

O primeiro diretor da Vertical foi Iomani Engelmann, um dos fundadores da Pixeon, criada em 2003 (e egressa da incubadora MIDI Tecnológico) e que desenvolve sistemas de gestão para centros de imagem, hospitais, laboratórios e clínicas. A empresa “voou” nos anos seguintes – foi a primeira do país a receber aporte da Intel Capital, fundiu-se com uma empresa paulista e depois foi investida pelo fundo norte-americano Riverwood – e Iomani precisou de dedicar à empresa. Foi quando Walmoli assumiu a gestão da Vertical.

Físico por formação e criador da BrasilRAD, empresa instalada na incubadora Celta e que fornece serviços na área de física médica e proteção radiológica, ele tem feito ano a ano um levantamento sobre o faturamento, contratações e investimentos das empresas da Vertical, além do número de negócios que surgem a partir dessa conexão entre empresas. Um caso emblemático foi a aquisição, pela Pixeon, da LabLink, que atua no mercado de interfaceamento de equipamentos laboratoriais. Poucos anos antes, as empresas eram vizinhas na incubadora MIDITec e fortaleceram os laços durante os encontros da Vertical. Segundo Walmoli, 40% das empresas participantes já fizeram algum tipo de negócio em comum em função desse relacionamento associativista.

 

APOIO NO DESENVOLVIMENTO DE EMPREENDEDORES

Uma rotina nas reuniões da Vertical Saúde é a apresentação de novas empresas do setor, que fazem um pitch de suas soluções e acabam recebendo uma mentoria coletiva dos demais participantes. “Nós buscamos esses novos empreendedores, queremos que eles venham nos mostrar o que está sendo desenvolvido e de que forma podemos ajudar a direcionar essa solução para o mercado. Há casos de gente que desistiu do projeto, porque não fazia sentido, mas é bem comum que isso sirva para melhorar os produtos e capacitar o próprio empreendedor”, ressalta Walmoli, que também é investidor anjo de algumas healthtechs.

Uma delas é a WaveTech, que desenvolveu como hardware uma série de aparelhos auditivos digitais capazes de atender os mais diferentes graus de deficiência. E por meio de um software próprio, auxilia profissionais de fonoaudiologia na avaliação de desempenho e desenvolvimento dos usuários. A empresa, pioneira nesta solução na América Latina, levou quatro anos para conseguir o registro da Anvisa.

Segundo o CEO Guillaume Barrault, um francês que fez doutorado no Brasil e que escolheu empreender em Florianópolis pelo potencial do mercado de tecnologia na área de saúde, “fazer parte da Vertical não dá apenas visibilidade para as empresas, mas também serve como uma alavanca para projetos maiores. Há muita sinergia entre os empreendedores e quando duas pequenas se unem, elas ficam mais fortes para oferecer uma solução para uma grande empresa”.

Ele lembra que Israel e Suíça são os países que lideram o desenvolvimento de tecnologias inovadoras em saúde, “mas aqui em Santa Catarina temos um pouco disso também. Não desenvolvemos as soluções para o mercado interno, temos uma visão para ir além. Mesmo sem um apoio público, o ambiente que conquistamos na Vertical é muito dinâmico e geram oportunidades infinitas”.

Oportunidades também para os futuros profissionais de saúde. Por meio de uma parceria com a Associação de Estudantes de Medicina de Santa Catarina (AEMED/SC), algumas empresas da Vertical estão contratando estagiários da área médica para interagir com o desenvolvimento de processos, soluções e necessidades de mercado. “O médico tem dificuldade para se desenvolver como empreendedor na faculdade. Por outro lado, eles podem entender muito mais rapidamente algumas necessidades das empresas de saúde do que um engenheiro, por exemplo”, explica Walmoli.

Outra dificuldade, na visão do diretor, é com relação aos recursos de fundos de capital de risco para alavancar as healthtechs: “falta amadurecimento dos fundos de investimento para a área de saúde. Os produtos levam muito tempo para serem validados e isso acaba não sendo tão interessante quanto outros mercados mais ágeis”. Por outro lado, a aproximação com os grandes players deste segmento – redes de hospitais e laboratórios – acaba servindo como um impulso de negócio às healthtechs.

O portfólio da incubadora paulista Eretz.bio, criada pelo Hospital Albert Einstein, conta com diversas catarinenses, como a Anestech, ePHealth, Neoprospecta, Portal Telemedicina, GNTech, entre outras. “O que nós fazemos aqui em Santa Catarina acaba sendo um benchmarking para os grandes do setor. Eles vêm para aprender com a gente”, resume o diretor da Vertical.

 

VERTICAL SAÚDE EM NÚMEROS
Fonte: Retrospectiva Vertical Saúde ACATE 2016 e 2017

Faturamento 2017: R$ 96 milhões
Crescimento médio das empresas: 30% (2017 em relação a 2016)
Investimentos recebidos: R$ 35 milhões (setor privado, majoritariamente por meio de investimento anjo)
Investimentos das empresas em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D): R$ 9,7 milhões
Empregos diretos gerados: 645
Novas contratações: 113 colaboradores (em 2017)

Perfil das participantes da Vertical Saúde:
Média empresa: 16%
Pequena empresa: 36%
Micro empresa: 48%

Reportagem: Fabrício Rodrigues – scinova@scinova.com.br 

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